Verdades Esquecidas
- michelfiorio
- 6 de fev. de 2023
- 20 min de leitura
Atualizado: 3 de ago. de 2025

Os novíssimos

Os novíssimos são as últimas realidades que irão acontecer com a aventura humana terminada sua peregrinação aqui na Terra.
São 4 os novíssimos: morte, juízo, inferno e paraíso.
Aquele que está em Cristo é uma nova criatura (2Cor 5,17); eu vi um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1); eis que faço novas todas as coisas (Ap 21,5), portanto, a palavra novíssimos tem a fundamentação bíblica precisamente em três textos da Escritura citados acima.
Verdades esquecidas: A morte
Deus colocou o homem no paraíso para disfrutar de tudo o que é bom. E dessas realidades que são boas, a morte não está incluída.
A árvore da vida no meio, no centro do paraíso, significa o fruto mais importante, a possibilidade de viver sempre.
O fruto da árvore da ciência do bem e do mal, é a possibilidade de decidir o que é bom e o mal, o conhecimento do que é certo - o bom, e o que é errado - o mal (Gn 2,9).
É aqui que a morte vai aparecer pela 1º vez, a morte como possibilidade da desobediência de Adão e Eva (Gn 2,15-17).
Deus não é o autor da morte, aqui está o que causou a morte, a explicação para a morte (Gn 3,16-19).
Quem foi a causa da entrada da morte no mundo? O pecado não foi obra de Deus, por um só homem entrou o pecado no mundo, a morte entrou no mundo pelo pecado do homem (Rm 5,12).
- Deus não criou a morte (2Mc 7,9.12,44;Sl 16,9-11.17,15.49,8-10.16.73,23-24.26.116,15;Sb 1,13-14.2,23-24;Is 25,8.26,19;Dn 12,2.13).
- Com exceção a Santíssima Virgem Maria e a Nosso Senhor Jesus Cristo, o verbo que se encarnou, porque Ele não conheceu pecado por ser Deus e a Virgem Maria foi preservada da mácula 1º em previsão dos Méritos de Cristo por ter sido escolhida desde toda a eternidade para ser a Mãe do Salvador, todos já nascem com o pecado, todos pecaram (Rm 3,23).
- O tempo corre veloz e de forma irremediável. Relatividade do tempo (Sl 39,5-7;89,48;90,4.10.12;Ecl 1,9-11;3,1-8).
- A realidade da morte no Antigo Testamento (Gn 3,19;Sl 89,49;Ecl 3,20;12,1.6-7;Sb 1,13-14;15,8.16;Eclo 14,17-19;41,1-4;Ez 18,32).
- A consequência do pecado, o salário do pecado (Rm 6,23).
- Deus não é o autor da morte, e a morte não é a rainha da terra (Sb 1,13-14).
Qual é o pensamento do Antigo Testamento a respeito do destino das pessoas que morrem? Qual é o estado dos que morrem? Para onde vão as pessoas que morrem?
- Morreu vai para debaixo da terra, vai para o hades, vai para o xeol, vai para uma fossa comum, um lugar escuro e frio; essa é a primeira noção do pós morte no Antigo Testamento, onde ainda não se pensava na vida eterna com a clareza que hoje nós temos (Jó 10,20-22;17,13-16;Sl 6,6;29,10;38,5-787,12-13).
- A fé na ressurreição da carne, a resposta ao mistério da morte (Dn 12,2-3).
- Sacrifício que os judeus mandam realizar em Jerusalém pelos mortos, uma crença piedosa na ressurreição da carne (2Mc 12,13-14).
- A vida eterna e a promessa da ressurreição no último dia no Novo Testamento (Jo 6,32-33.40.44.47.50.51).
- A resposta de Deus todo poderoso a respeito da morte (Jo 11,1-43), "Ressurreição de Lázaro".
- A fé em Jesus diante do mistério da morte, diante da certeza da ressurreição (Jo 11,25-26).
- Deus se comove, chora diante da morte (Jo 11,35).
- A morte como ocasião para o cristão dar glória a Deus. Jesus faz uma profecia sobre a morte de São Pedro, portanto morrer com Cristo é glorificar a Cristo, morrer por causa Dele, para Ele (Jo 21,18-19).
- A forma como Jesus encarou a morte, que reflete a postura de Jesus diante da morte (Jo 13,1).
- A morte não é o fim da pessoa, a morte é o fim de uma etapa, de uma peregrinação nesta terra. A morte como um fim de uma realidade que nunca mais voltará. A morte só ocorrerá uma vez e logo em seguida haverá o julgamento, não existe reencarnação (Hb 9,27).
- Realidade da morte no Novo Testamento (Mt 6,27;1Cor 15,22.26.31;2Cor 4,16;5,1;2Tm 4,6;Tg 4,13-15;2Pd 1,14).
- A causa da morte (Rm 5,12;6,23;1Cor 15,21;Tg 1,15).
Reflexão versículo por versículo da ressurreição de Lázaro.
1- Enquanto uns elogiam, "vede como Ele o amava", os outros já maldaram o atraso de Jesus, "este que fez o cego enxergar, não poderia ter feito com que não morresse" (Jo 11,36-37).
2- É um pecado gravíssimo insinuar que Deus tem outros sentimentos senão, a dor, o choro diante da nossa morte (Jo 11,36-38).
3- Marta certamente pensa que Jesus vai fazer qualquer coisa, menos ressuscitar seu irmão Lázaro (Jo 11,36-39).
4- Oração de Jesus em alta voz para aqueles que debocharam de Jesus. Aqui vemos a finalidade dos milagres de Jesus (Jo 11,41-42;20,30-31).
5- A ressurreição de Lázaro é totalmente diferente da ressurreição de Jesus que ressuscita para nunca mais morrer, e Lázaro ressuscita para morrer (Jo 11,43).
6- O pecado humano, a raiva, a inveja, chegam ao cúmulo; Lázaro vai ser vítima dos mesmos que vão causar a morte de Jesus (Jo 12,10-11).
- A realidade da morte no Novo Testamento (Mt 6,27;1Cor 15,22.26.15,31;2Cor 4,16.5,1;2Tm 4,6;Tg 4,13-15;2Pd 1,14).
- A causa da morte (Rm 5,12.6,23;1Cor 15,21;Tg 1,15).
- Aqui já é o começo do consolo, aqui já são certezas que nos fazem enfrentar a morte de forma serena, alegre e confiantes por causa de Cristo Ressuscitado (Fl 2,14-18).
O significado da morte à luz da fé
1- O significado da morte à luz da fé. Somente a fé cristã nos abre à esperança (1Ts 4,13).
2- O ponto fundamental: Jesus venceu a morte também por nós (2Tm 1,10;Hb 2,14-15).
3- Nossa morte deve ser vivida e colocada na morte e ressurreição de Cristo (Rm 6,5;14,7-8;2Cor 4,10;2Tm 2,11;Ap 14,13).
- Esperança e segurança do cristão diante da morte (Lc 2,29;22,33;At 7,59;Rm 8,38-39).
- Jesus anuncia a ressurreição dos mortos (Lc 20,37-38;Jo 5,21.28-29.6,40.11,23-26).
- Jesus realiza a ressurreição dos mortos (Mc 5,41;Lc 7,14-15;Jo 11,43-44).
- A ressurreição de Jesus é o fundamento e a garantia de nossa ressurreição: como Deus ressuscitou Jesus, assim ressuscitará também a nós (Rm 8,11;Cor 6,14.15,12-14.20-22;2Cor 4,14;Fl 3,21;Hb 11,19).
- Como será a ressurreição dos corpos? (Lc 20,35-36;1Cor 15,35.43-44.49.52-53).
- O cristão vive na esperança da ressurreição (Rm 8,23;2Cor 5,1-2.4-5).
- Paradoxo do cristão (2Cor 5,8;Fl 1,21.23).
"Cristo oferecerá a todos a plenitude não só da alma mas também do corpo" (Agostinho de Hipona).
Verdades esquecidas: O juízo
O juízo particular que é que cada um vai se submeter na hora da morte, quando a alma se separar do corpo, ela já se apresentará diante do Senhor para seu julgamento (2Cor 5,10).
O juízo final que se realizará com toda a humanidade diante de Jesus (Mt 25), é quando acontecerá os fins dos tempos, a ressurreição da carne, o arremate definitivo da história dos homens.
- O julgamento de Deus é imparcial e universal: (Dt 10,17;1Sm 16,7;Tb 3,2;Sl 9,8-9;62,13;75,3.7-8;96,13;Ecl 3,17.12,14.16,12-14.17,20.35,15;Is 2,11-12.17.10,14;Na 1,3).
- O dia do fim e do juízo é o dia do Senhor: (Is 2,11-12.13,9.27,13;Dn 12,1;Jl 2,1.2.2,11;Am 5,18-19;Sf 1,14-15;Zc 14,1-9;Ml 3,2).
- A concepção que os Hebreus tem de Deus que Deus castiga a iniquidade dos pais nos filhos. Deus não disse Eu sou, mas alguém escreveu a concepção de Deus naquele tempo (Nm 14,18).
- Aqui Deus se dirige ao povo por meio de Moisés como que confirmando que o Deus que eles creem é agora que está falando sem entrar no mérito se é certo ou errado esse pensamento que vocês tem (Ex 34,5-7).
- Eu sou o Senhor Deus e não mudo, o que muda é a capacidade de compreender do povo em relação à Deus (Ml 3,6).
- Deus não muda, mas educa conforme a capacidade do povo (Jr 32,19). De fato, aqui há uma grande diferença quando Deus diz punir a iniquidade dos pais nos filhos, outra coisa é dizer que Deus vai retribuir a cada um segundo a sua conduta e os frutos de seus atos. Mudança na mentalidade do povo, Deus não muda.
- A profecia foi deita para combater um provérbio, são confirmações que andam na boca do povo de Israel que o pecado dos pais é pago nos filhos, Este capítulo demonstra a mentalidade que está no meio do povo (Ez 18,1-4).
- A virtude dos pais não pode ser imputada nos filhos. Os méritos das pessoas retas, justas e integra, conduta reta, santa; diz o Senhor: este homem será justo e viverá (Ez 18,5-9).
- O pai com suas virtudes e o filho com seus defeitos, o pai será recompensado pelas suas virtudes e o filho com seus defeitos será punido pelas atitudes dele (Ez 18,10-18). Responsabilidade individual, as virtudes do pai é uma coisa, se os filhos vivem na iniquidade é outra coisa. Diante de Deus o vínculo famílias não significa nada, Você vai responder pelos seus atos.
- Você não pode pagar pelos pecados que os outros comentem. Cada um vai responder pelos seus atos bons ou ruins perante de Deus (Ez 18,19-24).
- Ainda que venhamos a viver em pecado mortal, temos a possibilidade de conversão (Ez 18,21).
- Basta cometer um único pecado mortal que todos os seus atos justos não será tido em conta em virtude da infidelidade que você praticou (Ez 18,24). Deus não vai levar em conta o bem que você fez se estiver em pecado mortal.
- Não há nenhuma maldade, nenhum pensamento, não há nada oculto aos olhos de Deus (Jó 11,11).
- Deus conhece tudo e não há onde se esconder (Jó 34,21-23).
- Diante de Deus não se tem privacidade, Deus conhece e v os nossos passos (Sl 10,4).
- Deus vê simplesmente tudo, com clareza, com exatidão, com precisão, sondando e conhecendo as nossas intenções (Pr 5,21-23;15,3).
- Deus vê tudo, conhece todas as coisas, Deus vê todas os homens e observa todos os nossos atos (Sl 32,12-15).
- Deus conhece nossas intenções, os nossos corações (Pr 16,2). Deus sonda.
- Deus sabe de tudo, Deus não conhece temporalmente, Ele conhece eternamente, vigia a tua alma (Pr 24,12).
- Deus nos trata de acordo com a nossas conduta, com a mesma medida que medirdes, vós sereis medidos (Sl 61,13).
- O grito dos inocentes já foi julgado por Deus, nada escapa do seu juízo que julgará de forma implacável todos os maus (Sl 34,24).
- O critério do agir de Deus no nosso juízo, será a maneira como nós tratamos o nosso semelhante (Sl 42,1).
- A proximidade do juízo divino (Sl 74).
- Deus age com imparcialidade, não faz distinção de pessoas (Dt 10,16-18).
- O julgamento do Senhor será com sabedoria, entendimento, com prudência, com coragem, com ciência, com temor do Senhor, com piedade, são os sete dons do Espírito Santo presente no julgamento do Senhor. Ele não julgará pela aparência, nem pelos comentários dos outros (Is 11,1-4).
- Profecia que fala do Messias que vem para julgar (Ml 3,19-21), que tem que ser entendido sob a luz do Novo Testamento, e que fica claro em (1Cor 3,12-15).
- Jesus pela 1º vez vai aludir uma possibilidade de salvação ou condenação (Mt 7,13-14).
- Afirmações de Jesus que sugerem a existência na hora da morte, após a morte de um julgamento de forma implícita (Lc 16,19-21).
- O reino dos céus não é uma porteira aberta, onde todos passam e o inferno fica vazio (Mt 5,20). A justiça dos escribas e fariseus era faça o que a lei manda e pronto, você está salvo, é uma justiça exterior.
- A primeira vez que Jesus fala "dia do juízo" (Mt 11,20-24). A ameaça explicita que Jesus faz: vocês estão endurecendo o coração, mesmo Jesus realizando curas, milagres e prodígios, mesmo assim, vocês não se converteram. Ai a ira do Senhor vai se ascender e será implacável: o fogo do inferno.
- Jesus falando do inferno na perspectiva do juízo (Mt 12,38-42).
- A vinda de Jesus não tem hora marcada (Mt 24,43-44). O texto faz relação de juízo e ação do demônio. Por que o demônio não entra para arrobar a casa? Porque em (Ap 3,20), ceando com a pessoa que abriu seu coração para Jesus, "eis que estou a porta e bato". Aquele que habita no esconderijo do altíssimo, a sombra do Senhor onipotente o cobrirá (Sl 90).
- Deus julgará com juízo imparcial e justo a todos os homens: (Rm 2,5-6.11.14,10-12;Cl 3,25;Hb 4,13.9,27;1Pd 1,17.4,5;Ap 20,12).
- O Pai colocou todo juízo no Filho, Jesus Cristo será o nosso juiz: (Mt 16,27.24,3031;Jo 5,22.27;At 17,31,Rm 2,16;1Cor 4,4-5;2Cor 5,10;2Tm 4,1;Ap 22,12).
- Sobre o que seremos julgados: Sobre a fé e a adesão ao Evangelho: (Mt 10,32-33;Lc 9,26;Jo 3,18-19.12,48). Sobre o amor ao próximo: (Mt 7,2.12,36-37.25,31-46).
"No declinar de nossa vida seremos julgados sobre o amor" (São João da Cruz).
Verdades esquecidas: O inferno
É preciso entender a linguagem que a bíblia usa ao falar do inferno (=mais baixo). Também aqui se trata de distinguir o essencial dos aspectos secundários ou simplesmente descritivos ou simbólicos. Devemos recordar que o inferno e paraíso não devem ser considerados como lugares ( no sentido terreno, espacial da palavra), mas como estados ou condições de vida.
Jesus falou dessa realidade: o que virá depois da morte para aqueles que se encontrarem na hora da morte afastados de Deus?
O catecismo da Igreja Católica dedica cinco parágrafos ao tema do inferno.
CIC 1033 - Explicação: Em nenhum momento a Igreja diz que Jesus criou o inferno para os homens, que Jesus vai mandar para lá os homens, que Jesus é o autor da condenação eterna dos homens (Mt 25,41).
Primeiro é preciso falar do amor de Deus para nós e da nossa opção livre em responder pela fé e entregar o nosso coração aquele que nos amou primeiro (Jr 31,3).
O ponto de partida para compreendermos o inferno, “é o amor eterno que Deus tem por nós”.
Por que o inferno?
O porquê do inferno não está em Deus, está no homem. Não é porque Deus quer, não é porque Deus cria o inferno, o porque está no condenado ou no condenado.
Apartai-vos de mim malditos... porque tive fome e não me destes de comer... (Mt 25,41-46).
Quem vai para o inferno? Quem é sério candidato para o inferno?
Quem morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus, que significa ficar separado do Todo Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre (Cic 1033).
Vamos refletir com uma história de um casal que casados por 60 anos, em que o homem amou a sua esposa por 60 anos, e, num dia brigou e espancou sua mulher a deixa-la em um hospital a beira da morte. O marido aproxima-se dela e diz: eu amei você por toda a minha vida, o que é essa surra que eu dei em você diante de tanto amor que eu lhe dei! Agora, coloca-se no lugar dessa esposa e faça a seguinte pergunta para esse homem: de que adianta esse amor que você me deu ao longo de toda a vida, se agora você age dessa forma comigo? Quer dizer que o bem que você me fez é salvo conduto para você me fazer o mal? Você crê que eu devo levar em conta os 60 anos que você me amou, e vê agora isso que estou morrendo? “Ah, mas o pecado mortal não causa isso”?
Agora é hora de olhar para a cruz, e veja o que o nosso pecado causou a Jesus, veja o que um pecado mortal causou ao corpo de Cristo, a alma de Cristo?
Ah, mas alguém poderia dizer: o que é a morte de Jesus? Jesus é Deus, o nosso pecado mata a Deus, o nosso pecado produz uma ruptura na amizade com Jesus, porque é prova da inimizade nossa com Jesus. Quem ama não mata, quem ama não ofende, e, a pessoa que foi ofendida e assinada no calvário é Deus. O pecado mortal nos afasta da comunhão com Deus.
Enquanto a pessoa não é tocada pelo sincero arrependimento, não retrocede da sua má conduta, não implora o perdão de Deus, não se une ao Cristo misericordioso rejeitando seu amor proposto na cruz - “Pai perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”, “é mais do que justo que se haja uma sanção eterna POR LIVRE OPÇÃO DE CADA UM DE NÓS, diz a Igreja no CIC 1033 - o inferno somos nós que criamos”!
No antigo testamento: nos primeiros livros da Bíblia não se tinha ainda clareza a respeito do destino dos mortos, sejam os bons e os maus, para aonde eles iriam.
- Visão que Jacó ou Israel tinha a respeito sobre os mortos, mansão dos mortos ou xeol (Gn 35;37,35).
- Em que acreditava a fé Hebraica sobre a morte (Gn 16,29-30), para onde irão os mortos, Moises (Nm 16, 29-30).
- Prestação de contas: 1º vez a crença de um juízo que vai retribuir aos bons com algo e aos maus com outra realidade (Ecl 12,13-14).
A evolução de Deus revelando as suas verdades externas ao seu povo de acordo com a capacidade de compreensão desse mesmo povo
- A fé de Israel professa a ressurreição e a retribuição que uns vão para a vida eterna e outros para o terror eterno (Dn 12,1-3).
- Linguagem apocalíptica de como o profeta descreve o inferno após a morte com uma concepção parecida do Novo Testamento (Is 66,15-16).
- Geena: era um local que ficava fora das muralhas de Jerusalém, era um vale do Enom, lugar onde os habitantes de Jerusalém jogavam lixo, sujeira e queimavam, era um fogo constante. O inferno logo após a morte é descrito com as categorias de um vale que já existia bem ao lado de uma muralha de Israel onde se lançava o lixo e tocava fogo onde a chama ardente jamais se apagava. Imagem que foi utilizada para descrever o inferno, o VALE DA GEENA. O vale da Geena era um lugar amaldiçoado (Jr 7,31), lugar onde os reis de Israel levavam seus filhos para adorarem os deuses pagãos, matavam seus filhos e queimavam os corpos deles.
- Deus promete castigar aqueles que cometiam as atrocidades no vale da Geena, é uma alusão de mais para frente do castigo que Deus revela para os maus (Jr 19.6-7).
- Os ímpios receberão o castigo: (Sl 21,9-10.49,14-15;Sb 3,10-11.4,20).
- A condenação definitiva e seu motivo fundamental: (Mt,7,22-23.10,33;Jo 5,29.12,48;Fl 3,19;2Ts 1,7-9.2,10;2Tm2,12;Hb 10,29-31).
- Imagens usadas para descrevê-la: (Mt 8,12.13,39-42.49-50.25,41;Jo 15,6;Ap 20,14-15.21,8).
"Quanto a mim digo que aqueles que são atormentados no inferno o são pela invasão do amor. Que há de mais amargo e de mais violento do que as penas do amor? Aqueles que sentem ter pecado contra o amor trazem consigo condenação bem maior que os mais temidos castigos" (Isaac de Ninive).
Verdades esquecidas: O paraíso
- (1Cor 2,9) Como então é possível falar daquilo que os olhos não via, daquilo que os ouvidos não ouviram, como se pode falar de uma realidade da qual não temos a mínima experiência? É um ensinamento de fé, é um ensinamento que está consignado nas Escrituras, mas principalmente é "doutrina de Jesus", é o ensinamento de Jesus que foi transmitido pelos apóstolos, foi sustentado pela Igreja, foi transmitido no decorrer dos séculos, é o Espírito Santo que nos garante pela Igreja, e que começa no Antigo Testamento, que a fé de Israel com relação a vida eterna experimenta uma evolução que durou aproximadamente 1.000 anos para que o Antigo Testamento seja concluído.
Deus escolhe o povo do Antigo Testamento e reserva muitas coisas para ensina-los, mas não no começo, e como bom pedagogo vai revelando paulatinamente os ensinamentos todos: morais, doutrinais, litúrgicos, ensinamentos a respeito do Messias, e ensinamentos também a respeito da vida eterna.
Como Israel começou a ter as primeiras noções de vida após a morte, e especificamente a vida eterna, a felicidade sem fim, a recompensa para os bons, a morada daqueles que atravessam essa aventura aqui na terra e morrem na paz de Deus? Para onde eles vão, como será essa vida, acaba ou não acaba, quais os critérios e requisitos para chegar lá?
- (Gn 25,7-8) Trata-se da morte de Abraão, e para onde ele foi após a morte. Aqui está o começo do pensamento judaico a respeito do xeol - a mansão dos mortos.
- (Gn 46,3) O que o Senhor Deus diz para Jacó quando ele chega ao Egito: Eu sou o Deus de teu pai. Expressão que não faria sentido se o pai de Jacó não existisse mais.
- (Is 65,17) A prova que essa profecia se refere a vida eterna é o uso que dela faz São João ao encerrar seu livro do Apocalipse; "eis que faço nova todas as coisa" (Ap 21,1-4), pois, uma coisa é a leitura do Antigo Testamento sem o Novo Testamento; isso é judaísmo, outra coisa é ler o Antigo Testamento a luz do Novo Testamento; isso é cristianismo, e dado que esse texto só aparece no final da Bíblia, e o Novo Testamento é o critério de interpretação do Antigo Testamento, e não ao contrário, Em (Ap 21,1-4) é uma leitura escatológica que descreve a felicidade sem fim, a glória do céu. Portanto, a leitura de (Is 65,17), não nos deixa dúvidas de um dos fundamento sólidos a respeito da fé na vida eterna.
- (Sl 10,7) Contemplaremos Deus face a face.
- (Sl 16,15) Contemplarei a Vossa face. Como, quando? Ao despertar.
- (Sl 48,16) Deus livrará minha alma da habitação dos mortos, mas como? Tomando-me consigo (Jo14,1-3), Jesus vem nos buscar, coincidência? Não, os batem, portanto, a luz do Novo Testamento a profecia do (Sl 48,16) trata da vida eterna, do dia que Deus vai livrar da habitação dos mortos os que morreram.
- (Jó 19,25-27) A fé de Israel aqui está amadurecendo para aquilo que será a fé dos cristãos: contemplaremos Deus face a face, veremos Deus com nossos próprios olhos.
- (Dn 2,44) Aqui temos uma profecia acerca de um outro reino, onde lembramos das palavras de Jesus: meu reino não é deste mundo.
- (Dn 7,27) Uma profecia que anuncia a substituição dos reinos que desaparecem e dá lugar a uma realeza que não acaba, um império sem fim, a um reino eterno.
- (Dn 12,1-3) Texto onde explicitamente, e claramente se fala do céu, se fala da felicidade sem fim, uma vida consciente e feliz que não acaba. É o que entendemos por céu quando recitamos "creio na vida eterna". Este texto é um divisor de águas, que a partir dele até o final do Antigo Testamento já não há mais dúvidas na fé de Israel a respeito da vida eterna feliz.
- (2Mac 7,1-42) Texto que relata a história de uma mãe cujo seus sete filhos foram assassinados na frente dela, e ela vai confortando um por um, e aquilo que ela ensina para eles é exatamente a "fé de Israel na felicidade sem fim, na recompensa eterna", ao mesmo tempo é a convicção do que o malvado que está fazendo isso, matando um por um, ele vai se apresentar diante de Deus, vai prestar contas, e vai ser punido com rigor.
- (Sl 5,8.11,7.16,9-11.17,15.27,13.73,24.26;Sb 3,1-6.9.4,7.5,15;Is 65,17-18;Zc 14,9) Os justos vivem para sempre.
Fundamentos bíblicos do Novo Testamento a realidade que chamamos céu de paraíso, de felicidade sem fim.
- (Mt 3,2;11-12) Primeira afirmação, alusão ao paraíso.
- (Mt 4,17) Palavras de Jesus que faz alusão ao reino do céu. Abre-se o discurso de Jesus na dimensão da "eternidade".
- (Mt 5,1-11) Uma catequese sobre o céu no discurso do "sermão da montanha", é o discurso que apresenta o céu como recompensa.
- (Ap 21,3-4) A consolação é uma dimensão intrinseca do céu. Aqui está a promessa do céu para aqueles que choram, porque serão consolados. O céu é consolação plena, definitiva, eterna, perpétua.
- (1Jo 3,1-3) Só os puros verão a Deus como Ele (Ap 22,15).
- (Mc 10,30;Rm 6,23) A vida eterna.
Em que consiste essencialmente a vida eterna?
- (Lc 23,43;Jo 14,3.17,24;2Cor 4,14.5,8;1Ts 4,17;Ap 21,3) 1º - Estar com Deus, com o Senhor, permanecer com Ele.
- (1Cor 13,12;1Jo 3,2;Ap 22,3.4) 2º - Ver a Deus.
- (Hb 4,1.3.10;Ap 14,13) 3º - Repousar com Deus.
- (Mt 5,12.8,11.13,43.19,21.25,21-23.34;Lc 16,22.22,28-30;Jo 14,2-3;1Cor 15,24-28;2Cor 5,1;Fl 3,14.20;Cl 3,24;1Ts 2,12;2Tm 4,8;Hb 9,15;1Pd 1,3-4.5,4;2Pd 1,11;Ap 2,10.7,15-17) 4º - Outras descrições e imagens: mesa, casa, pátria, herança, reino, prêmio etc..
- (1Cor 2,9;1Tm 6,16) A vida eterna em si mesma é indescritível.
- (Mc 9,49;1Cor 3,15) Para entrar na vida eterna é preciso purificar-se.
- (Rm 8,18-21;2Cor 5,2.6-8;Fl 1,23.3,14;1Tm 6,12;Hb 13,14;2Pd 3,13) O cristão vive na espera e no desejo da vida eterna.
- (Ap 6,9-11) Uma descrição da condição da Igreja sofrida, mostra que os que estão debaixo do trono do altar, são as alma daqueles que foram imolados. Essa descrição mostra boa parte do eleitos dos que estão no céu, eles estão lá porque morreram, derramaram seu sangue por causa de Cristo. O céu como prémio dos que sofreram por causa de Jesus.
Para o homem o que significa o céu? Qual o ensinamento da igreja a respeito da convivência do homem no céu?
- CIC 1045: Para o homem, esta consumação será a realização final da unidade do género humano, querida por Deus desde a criação e da qual a Igreja peregrina era “como que o sacramento”. Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos resgatados, a “Cidade santa de Deus” (Ap 21, 2), a “Esposa do Cordeiro” (Ap 21, 9). Esta não mais será atingida pelo pecado, pelas manchas, pelo amor próprio, que destroem e ferem a comunidade terrena dos homens. A visão beatífica, em que Deus Se manifestará aos eleitos de modo inesgotável, será a fonte inexaurível da felicidade, da paz e da mútua comunhão. É como está escrito: coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos não ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
- 2Cor 12,2-4: São Paulo aqui descreve um arrebatamento, uma visão de contemplar o céu e depois voltar para terra e que não foi autorizado a revelar.
Cosmos como elemento integrante do céu. O Céu também inclui astros, estrelas, constelações, tudo isso fará parte desce realidade jubilosa. Nós pecamos e incutimos na criação de Deus a escravidão, veja a força do pecado, também a criação está destinada a redenção, a transformação.
- CIC 1046: Quanto ao cosmos, a Revelação afirma a profunda comunidade de destino entre o mundo material e o homem:
Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus [...] com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza [...]. Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo (Rm 8, 19-23).
- CIC 1047: Também o universo visível está, portanto, destinado a ser transformado, “a fim de que o próprio mundo, restaurado em seu primeiro estado, esteja, sem mais nenhum obstáculo, a serviço dos justos”, participando de sua glorificação em Cristo ressuscitado.
Até o fim da nossa existência aqui na terra, o relacionamento com a natureza é sofrido, o relacionamento da mulher com o homem, e assim vai ser. Na eternidade esse sofrimento vai desaparecer.
- Gn 3,17: “Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste o fruto da árvore que eu te havia proibido de comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida”.
- Gn 3,18-19: “Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar”.
- Gn 3,16: “Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores, teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio”.
O tempo da consumação, eis que eu faço novas todas as coisas, um novo céu, uma nova terra, o arremate da história, Cristo vem em glória para julgar os vivos e o mortos, e chegar-se a o fim da história da humanidade, mas quando isso acontecerá. Jesus previu o fim dos tempos, previu, Jesus disse com clareza quando acontecerá, não disse com clareza.
- Mc 13, 32: “A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai.
- CIC 1048: Ignoramos o tempo da consumação da terra e da humanidade e desconhecemos a maneira de transformação do universo. Passa, certamente, a figura deste mundo, deformada pelo pecado, mas aprendemos que Deus prepara uma nova morada e nova terra. Nela reinará a justiça e sua felicidade irá satisfazer e superar todos os desejos de paz que sobem aos corações dos homens.
- At 1,7: Respondeu-lhes ele: “Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder”.
Maneira da transformação do universo.
- Ap 21,4: “Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição”.
- CIC 1049: “Contudo, a expectativa de uma terra nova, longe de atenuar, deve impulsionar em vós a solicitude pelo aprimoramento desta terra. Nela cresce o corpo da nova família humana que já pode apresentar algum esboço do novo século. Por isso, ainda que o progresso terrestre se deva distinguir cuidadosamente do aumento do Reino de Cristo, ele é de grande interesse para o Reino de Deus, na medida em que pode contribuir para melhor organizar a sociedade humana”.
- Rm 14,7: “O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo”.
Consumação, ou seja, da concretização em grau extremo, pleno, completo, alegre, jubiloso e feliz, interminável dos valores legítimos que nós defendemos e procuramos implantar aqui na terra.
- CIC 1050: Com efeito, depois que propagarmos na terra, no Espírito do Senhor e por ordem sua, os valores da dignidade humana, da comunidade fraterna e da liberdade, todos estes bons frutos da natureza e de nosso trabalho, nós os encontraremos novamente, limpos, contudo, de toda impureza, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o Reino eterno e universal. Deus será, então, “tudo em todos” (1 Cor 15,28), na vida eterna.
“A vida, em sua própria realidade e verdade, é o Pai que, pelo Filho e no Espírito Santo, derrama sobre todos, sem exceção, os dons celestes. Graças à sua misericórdia, também nós, os homens, recebemos a promessa indefectível da Vida Eterna”, São Cirilo de Jerusalém (CIC 1050).
- 1Cor 15,22-28: “Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda. Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. O último inimigo a derrotar será a morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo dos seus pés. Mas, quando ele disser que tudo lhe está sujeito, claro é que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem àquele que lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos”.
"Não há vida a não ser por participação em Deus e tal participação consiste em ver a Deus e gozar de sua plenitude" (Santo Irineu de Lyon).






Comentários