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Tradição Apostólica.

  • Foto do escritor: michelfiorio
    michelfiorio
  • 26 de nov. de 2022
  • 9 min de leitura

Atualizado: 19 de jul. de 2025





Quanto à tradição, ela transmite integralmente aos sucessores dos apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo e pelo Espírito Santo aos apóstolos para que, sob a luz do Espírito Santo da verdade, eles, por sua pregação, fielmente a conservem, exponham e difundam (CIC 81).


Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, denomina-se Tradição, enquanto distinta da Sagrada Escritura, embora estreitamente a ela ligada. Pela Tradição, a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo em que acredita (II Concílio do Vaticano. Const. dogm. Dei Verbum, 8: AAS 58 (1966). Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante (CIC 78).

Portanto, a Igreja Católica não se guia apenas pela Bíblia (a revelação escrita), mas, também pela revelação oral que chegou até nós. Sem está última, nem mesmo a Bíblia existiria, já que foi redigida pela Igreja.


Para que o evangelho sempre se conservasse inalterado e vivo na Igreja, os apóstolos deixaram como sucessores os Bispos, essa transmissão viva realizada no Espírito Santo, é chamada de “TRADIÇÃO APOSTÓLICA”,


- Muitas são as passagens do Novo Testamento que revelam a importância da tradição oral:


* 2Tm 2,2

* Jo 16,12

* At 15,18

* At 4,8

* At 5,9

* At 5,32

* 2Ts 2,5

* 2Ts 2,15

* Jo 20,31s

* Jo 21,25

* At 2,4

* 1Cor 11,23;15,3



- O princípio estabelecido por Lutero, de que a única fonte da fé é a Bíblia, interpretada segundo o livre exame de cada um, até fundar uma nova igreja, vai contra o que Jesus determinou: “tu és Pedro e sobre ti eu construirei a minha Igreja”. Embora Lutero colocasse a Bíblia como a única fonte da fé, quando a sua teoria da salvação somente pela fé sem necessidades das obras, se chocou com as palavras de São Tiago: “sem obras, a fé morta” (Tg 2,26).


- A Igreja Católica, por outro lado, se manteve fiel a Cristo apesar dos pecados dos seus filhos, professa “uma só fé, um só batismo, um só Senhor”.


- É fácil para os protestantes andar com a Bíblia debaixo dos braços, porque já pegaram ela pronta, impressa depois de 1500 anos em que a Igreja Católica, com seu magistério, com suas lutas contra heresias, através de seus santos, mártires que ao longo de xv séculos guardava a fé dos apóstolos.



Por que a doutrina da Sola Scriptura não é correta?


- Porque ela não é bíblica; em Atos 15, foi a autoridade da Igreja que prevaleceu. Em Tessalonicenses, São Paulo manda guardar as tradições escritas e orais.


- Porque ela não é histórica; levaram-se séculos até uma definição formal do cânon bíblico. Se a Igreja primitiva cresce no Sola Scriptura, certamente se apressariam para definir o cânon.


- Porque ela não é lógico; a Bíblia não diz quais livros pertencem à Bíblia, de modo que foi necessária uma autoridade externa às Escrituras.


- Porque ela não funciona; grupos que dizem praticar o sola Scriptura divergem em assuntos fundamentais. O resultado são milhares de segmentos protestantes ensinando coisas distintas. Dizer "sola Scriptura" é dizer sola minha interpretação da Scriptura.


- Muitos protestantes sérios se queixam, com razão, da secularização e relativismo do mundo atual. Mas tudo isso começou, com respeito e caridade, quando um monge alemão acreditou que a sua interpretação pessoal da Bíblia deveria se sobrepor à interpretação de milhares de anos da Igreja. E quando ele disse que podíamos romper com a Igreja fundada por Cristo, chamou o papa de anticristo e chamou a missa de "suprema impiedade", ele abriu a porteira para todo tipo de relativismo.


Algumas citações dos Pais da Igreja contra o "sola scriptura", o sustentáculo protestante, que não está na Bíblia.

PAPIAS (+130): "Caso viesse alguém que tivesse convivido com os presbíteros, eu procurtava saber os ditos dos presbíteros, isto é, o que haviam ensinado André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou qualquer outro discípulo do Senhor. Estava convencido de que da leitura dos livros não retiraria tanto proveito quanto da voz viva e permanente" (segundo Eusébio, História da Igreja 3,39).


LACTÂNCIO (+300 d. C): "Só a Igreja Católica é que conserva o verdadeiro culto. Esta é a fonte da verdade; este o domicílio da fé, o templo de Deus, no qual se alguém não entrar, do qual se alguém sair, esta privado da esperança de vida e salvação eterna" (livro 4º cap. 3º).


TERTULIANO: "De nada vale as discussões das Escrituras. A heresia não aceita alguns de seus livros, e se os aceita, corrompe-lhes a integridade, adulterando-os com interpolações e multilações ao sabor de suas idéias, e se, algumas vezes admitem a Escritura inteira, pervertem-lhe o sentido com interpretações fantásticas..." (Tertuliano séc 3 In De Praescriptionibus., c. 19 / ML, II, 31).


ORÍGENES DE ALEXANDRIA (+253): "Que só se deve crer nas verdades ligadas às tradições eclesiásticas e apostólica" (De princ. Prae., 2).


HIPÓLITO DE ROMA (+235): "Justamente por não observarem as Sagradas Escrituras e não guardarem a Tradição de algumas santas pessoas é que os hereges criaram essas [ímpias] doutrinas" (Refutação de Todas as Heresias 1, Prefácio).


O que diziam os Santos Padres: Escritura e Tradição.


O cristianismo não é uma religião do Livro, no entanto, a fé cristã não é uma religião do Livro. O Cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não duma palavra escrita e muda, mas do verbo encarnado e vivo. Para não serem letra-morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna de Deus vivo, pelo, Espírito Santo, nos abra o espírito à inteligência das Escrituras (Catecismo da Igreja Católica, 108).

- Santo Inácio de Antioquia (70 - 107 D.C.): Aos romanos, chama a Igreja de Roma de "Igreja que preside na caridade", "digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai". Diz ainda que "não vos dou ordem como Pedro e Paulo vos deram".


- Santo Irineu de Lyon (103 - 202 D.C.): Ainda que os Apóstolos não tivessem deixado nenhum escrito, bastaria seguir a regra da Fé que eles ensinaram aos chefes das Igrejas (contra as heresias 3,4,1).


Aos romanos escreve: "Mateus publicou entre os judeus, na língua deles, o escrito dos Evangelhos, quando Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja". "A Igreja de Roma é a maior e mais antiga, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo [...]. Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela por causa da sua origem mais excelente, toda a Igreja, isto é, os fieis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos". "Os bem aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a Igreja, transmitiram o governo episcopal a Lino, o Lino que Paulo lembra na carta a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente. A este Clemente sucedeu Evaristo, a ele Alexandre; em seguida Sisto, depois dele Telésforo, depois Higino, em seguida Pio, depois dele Aniceto. A Aniceto sucedeu Sotero e, presentemente, Eleutério, em décimo lugar na sucessão apostólica, detém o pontificado. Com esta ordem e sucessão chegou até nós, na Igreja, a Tradição apostólica e a pregação da verdade. Esta é a demonstração mais plena de que uma e idêntica é a fé vivificante que, fielmente, foi conservada e transmitida, na Igreja, desde os apóstolos até agora" (contra as heresias, 3,4).


- Tertuliano de Cartago (160 - 225 D.C.): [...] não os admitidos em nenhuma discussão sobre as Escrituras. Se estas são as suas forças, para que possam usá-las primeiro deverá ser discernido quem cabe a posse das escrituras, a fim de que não seja admitido a elas aquele a quem de modo nenhum cabe. (Da prescrição dos hereges, 15).


"A Igreja foi construída sobre Pedro". "A Igreja também dos romanos demonstra por instrumentos públicos e provas que Clemente foi ordenado por Pedro. Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral, onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor! Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé, Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na cruz".


- São Dionísio de Corinto (? - 171 D.C.): Aos romanos escreve: "tendo vindo ambos a Corinto, os dois Apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina do Evangelho. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente".


- Orígenes de Alexandria (185 - 253 D.C.): Quando hereges nos mostram as Escrituras canônicas - nos quais o cristão crê e confia - parecem dizer: "oh, ele está restrito". Contudo, não cremos neles, nem abandonamos a Tradição original da Igreja, nem acreditamos em outras coisas que não foram trazidas pela sucessão existente na Igreja de Deus (homilia sobre Mateus, 46).


Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve que fosse crucificado de cabeça para baixo". Pedro, tendo finalmente ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo. Igreja bem aventurada... na qual os apóstolos derramaram todo o seu ensinamento, além de seu próprio sangue".


- São Cipriano de Cartago (? - 258 D.C.): "Sobre um só foi construída a Igreja: Pedro". "A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal" (frase escrita na nave da basílica de Roma).


- Eusébio de Cesareia (260 - 339 D.C.): "Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos bispo da mesma cidade".


- São Basílio Magno (330 - 379 D.C.): Quanto aos dogmas e mensagens preservados na Igreja, alguns provêm do ensino escrito e outros recebemos da Tradição dos Apóstolos, transmitidos pelo mistério. No tocante a piedade, ambos [Escritura e Tradição] possuem mesma força. Ninguém os contradirá (Do Espírito Santo, 26,77).


- Santo Epifânio de Salamina (310 - 403 D.C.): Também é necessário fazer o uso da Tradição, porque nem tudo pode ser obtido nas Sagradas Escrituras. Os Santos Apóstolos deixaram algumas coisas nas Escrituras, outras na Tradição (Panarion 61,6).


- São Jerônimo (342 - 420 D.C.): "Eu me estreito a Vossa Santidade que equivale à cátedra de Pedro. E esta a pedra a qual Jesus Cristo fundou a sua Igreja. Seguro em vossa cátedra, eu sigo a Jesus Cristo".


- São João Crisóstomo (347 - 407 D.C.): "Portanto, irmãos, permaneçam firmes, mantenham nas Tradições que receberam de nós, quer por palavra, quer por carta". Resta claro que nem tudo foi deixado por escrito, mas que há muitas coisas que não foram escritas. Assim como o que foi escrito, também o que não foi escrito é digno de fé. Assim, olhemos para a Tradição da Igreja como digno de fé. É Tradição? Não procuremos nada mais (homilia sobre ll Tessalonicenses).


- São Vicente Lérins (? - 445 D.C.): Perguntando eu com toda atenção diligência a numerosos varões, eminentes em santidade e doutrina, que norma poderia achar segura para distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia, eis resposta constante de todos eles: quem quiser descobrir as fraudes dos hereges nascentes, evitar seus laços e permanecer íntegro na sadia fé, há de resguardá-la sob o duplo auxílio divino: primeiro, com autoridade da lei divina e segundo com a Tradição da Igreja Católica (Comonitório).


- São Pedro Crisólogo (380 - 450 D.C.): "No interesse da paz e da fé não podemos discutir sobre questões relativas à fé sem o consentimento do Bispo de Roma".


- Santo Agostinho (354 - 430 D.C.): "Roma locuta, causa finita" - "Roma falou, encerrada a questão" (disputa contra os hereges pelagianos).


O que diziam os Santos Padres: A importância da Tradição


- São Clemente de Roma (35 - 97 D.C.): Renunciemos, portanto, às nossas vãs preocupações e retornemos à gloriosa venerada regra da nossas Tradição (1 carta aos Corintios 7,2).


- Santo Inácio de Antioquia (30 - 107 D.C.): Estas tuas opiniões não estão de acordo com a Igreja e jogam na maior impiedade aqueles que delas compartilham. Não foram essas as opiniões que os presbíteros que viviam antes de nós e que frequentavam os Apóstolos te transmitiram. Essas coisas, também então, pela misericórdia de Deus que veio sobre mim, eu as ouvi com cuidado e anotei-as, não em papel, mas no meu coração; e sempre, pela graça de Deus, eu as tenho ruminado com fidelidade (Carta a Fotino; CF. Eusébio de Cesaréia em história eclesiástica 5,20).


- Carta à Diogneto (120 D.C.): Discípulo dos Apóstolos, torno-me agora mestre das nações e transmito o que me foi entregue para aqueles que se tornaram discípulos dignos da verdade. Essa graça inspira a sabedoria, desvela os mistérios, anuncia os tempos, alegra-se nos fiéis, entrega-se aos que a buscam, sem infringir as regras da fé nem ultrapassar os limites dos Padres. Celebra-se então o temor da lei, reconhece-se a graça dos Profetas, conserva-se a fé dos Evangelhos, guarda-se a Tradição dos Apóstolos e a graça da igreja exulta (11,1:5-6).


- Tertuliano de Cartago (160 - 225 D.C.): Prescrevemos contra esses falsificadores da nossa doutrina, dizendo-lhes que a única regra de fé é a que vem de Cristo, transmitida por seus próprios discípulos. Quanto a esses inovadores, facíl será provar que vieram depois (Apologético 47,10).


- Santo Hipólito de Roma (170 - 236 D.C.): Justamente por não observarem as Sagradas Escrituras e não guardarem Tradição de algumas santas pessoas é que os hereges criaram essas ímpias doutrinas (Refutação de todas as heresias 1, prefácio).


- Santo Atanásio (296 - 373 D.C.): Mas nossa fé é reta e tem origem no ensino dos Apóstolos e na Tradição dos Padres, ambas confirmadas tanto pelo Novo quanto pelo Antigo Testamento (Carta 60).




 
 
 

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