Santíssima Trindade
- michelfiorio
- 4 de dez. de 2022
- 5 min de leitura
Atualizado: 26 de mai. de 2024

Trindade significa um só Deus em três pessoas distintas (CIC 253).
O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (CCIC) explica assim: “A Igreja exprime a sua fé trinitária ao confessar um só Deus em três Pessoas: Pai e Filho e Espírito Santo. As três Pessoas divinas são um só Deus porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. Elas são realmente distintas entre si pelas relações que as põem em referência umas com as outras: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho” (CCIC, 48).
Sim, e o Compêndio explica desta maneira: “O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (CCIC, 44).
Foi utilizada pela primeira vez por Teófilo de Antioquia por volta do ano 170 para expressar a união das três Divinas Pessoas em Deus.
"A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós", já pronunciavam os Apóstolos (2Cor 13,13;1Cor 12,4-6;Ef 4,4-6).
A verdade revelada da Santíssima Trindade está nas origens da fé viva da Igreja, principalmente através do Batismo: "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".
- A Bíblia ensina que existe um só Deus (Is 43,10.44,6;Dt 32,39).
- O Pai é proclamado como Deus inúmeras vezes no Novo Testamento (2Cor 1,3;Ef 4,5-6).
- A Bíblia também demonstra que o Filho é Deus (Jo 1,1.14.20,17-18).
- O Espírito Santo é Deus (At 13,2.5,3-4).
- A distinção das três pessoas divinas (Mt 11,25-27;Jo 14,16-17).
- O Espírito Santo procede do Pai e do Filho (Jo 15,26).
- O Pai e o Filho revelado pelo Espírito Santo (CIC 243).
- O Pai revelado pelo Filho (CIC 238).
- A formação do Dogma Trinitário (CIC 249).
- O Dogma da Santíssima Trindade (CIC 253,254,255,256).

Jesus: Eu e o Pai somos um (Jo 10,30). O Pai está em mim e Eu no Pai (Jo 10,38). Eu não estou só, comigo está o Pai que me enviou (Jo 8,16). E quem me enviou está comigo. Não me deixou sozinho, porque faço sempre o que lhe agrada (Jo 8,29). Ninguém conhece o Pai senão o Filho, e ninguém conhece o Filho senão o Pai, e aquele a quem o Filho quiser revelar (Mt 11,27).
O que é o Mistério da Santíssima Trindade?
Santo Agostinho dizia que: "O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão" (A Trindade, 15,26,47). O Santo disse que Deus não é para ser compreendido, mas adorado.
Só existe um Deus, mas n'Ele há três Pessoas divinas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Não pode haver mais que um Deus, pois este é absoluto; se houvesse dois deuses, um deles seria menor que o outro, e Deus não pode ser menor que outro, pois não seria Deus.
A Trindade é Una: "Não professamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: a Trindade consubstancial" (II Conc. Constantinopla, DS 421).
"O Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um, só Deus por natureza" (IV Conc. Latrão, em 1215 DS 804).
A profissão de Fé do Papa Dâmaso, diz: "Deus é único, mas não solitário" (Fides Damasi, DS 71). A Igreja ensina que as pessoas divinas são relativas umas as outras. Por não dividir a unidade divina, a distinção real das pessoas entre si reside unicamente nas relações que as referem uma às outras.
Aos Catecúmenos de Constantinopla, São Gregório Nazianzeno, "o Teólogo", explicava: "Antes de todas as coisas, conservai-me este bem depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me faz suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-lo confio hoje. É por ela que daqui a pouco vou mergulhar-vos na água e vos tirar dela. Eu vo-la dou como companheira e dona de toda a vossa vida. Dou-vos uma só divindade e Poder, que existe Una nos três, e que contém os três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou de natureza, sem grau superior que eleve ou grau inferior que rebaixe... A infinita conaturalidade é de três infinitos. Cada um considerado em si é Deus todo inteiro... Deus, os três considerados juntos. Nem comecei a pensar na Unidade e a Trindade me banha em seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim" (Or. 40,41).
O primeiro catecismo chamado Didaqué, do ano 90, dizia: "No que diz respeito ao Batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente. Se não houver água corrente, batizai em outras águas; se não puder batizar em água fria, façais com água quente. Na falta de uma ou outra, derramai três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Didaqué 7,1-3).
São Clemente de Roma, Papa no ano 96, ensinava: "Um Deus, um Cristo, um Espírito de graça" (Carta aos Coríntios 46,6). "Como Deus vive, assim vive o Senhor e o Espírito Santo" (Carta aos Coríntios 58,2).
Santo Inácio, bispo de Antioquia, mártir em Roma, dizia: "Vós sois as pedras do templo do Pai, elevado para o alto pelo guindaste de Jesus Cristo, a qual é a sua cruz, com o Espírito Santo como corda" (carta aos Efésios 9,1).
São Justino, mártir no ano 151, escreveu essas palavras ao imperador romano Antonio Pio: "Os que são batizados por nós, são levados para um lugar onde haja água e são regenerados da mesma forma como nós o fomos. É em nome do Pai de todos e Senhor Deus, e de Nosso Senhor Jesus Cristo, e do Espírito Santo que recebem a loção na água. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos" (I Apologia, 61).
Santo Irineu de Lião, ano 189: "Com efeito, a Igreja espalhada pelo mundo inteiro até os confins da terra recebeu dos apóstolos e seus discípulos a fé em um só Deus, Pai onipotente, que fez o céu e a terra, o mar e tudo quanto nele existe; em um só Jesus Cristo, Filho de Deus, encarnado para nossa salvação; e no Espírito Santo que, pelos profetas, anunciou a economia de Deus..." (Contra as heresias I,10,1). "Já temos mostrado que o Verbo, isto é, o Filho esteve sempre com o Pai. Mas também a Sabedoria, o Espírito estava igualmente junto dele antes de toda a criação" (Contra as heresias IV,20,4).
E o Concílio de Nicéia, ano 325, confirmou toda essa verdade: "Cremos... em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido do Pai como Unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro, de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial com o Pai, por quem foi deito tudo que há no céu e na terra. [...] Cremos no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai, com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o qual falou pelos profetas" (Credo de Nicéia).
A Igreja definiu de forma infalível o dogma da Santíssima Trindade
O dogma da Trindade se definiu em duas etapas, no primeiro Concílio de Niceia (325 d.C.) e no primeiro Concílio de Constantinopla (381 d.C.).
No Concílio de Niceia foi definida a divindade do Filho e se escreveu a parte do Credo que se ocupa Dele. Este Concílio foi convocado para fazer frente à heresia ariana, que afirmava que o Filho era um ser sobrenatural, mas não Deus.
No Concílio de Constantinopla foi definida a divindade do Espírito Santo. Este Concílio combateu uma heresia conhecida como macedonianismo (porque seus defensores eram da Macedônia), que negava a divindade do Espírito Santo.






Comentários