Sacramento da Penitência
- michelfiorio
- 24 de dez. de 2022
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Atualizado: 6 de mai. de 2023

Por que nós precisamos confessar com o Sacerdote da Igreja?
Algumas pessoas perguntam assim: se eu me arrepender dos meus pecados, se eu me confessar diante de Deus, já não é o suficiente? Por que eu preciso confessar com um Padre?
A resposta é muito clara e objetiva, quem definiu isto não foi a Igreja, foi Jesus Cristo, e a Igreja simplesmente repete aquilo que Jesus mandou fazer. No Evangelho de São João no capítulo 20, temos o dia em que Jesus ressuscitou, e na tarde daquele domingo, Jesus apareceu no cenáculo para os Apóstolos que estavam reunidos, e a primeira coisa que Jesus fez foi exatamente "instituir o Sacramento da Confissão". Ele disse para os Apóstolos "recebeis o Espírito Santo", porque é pelo Espírito Santo que todo Sacramento é ministrado, é no poder do Espírito Santo, "recebam o Espírito Santo, assim como o Pai me enviou, eu vos envio a vós, a quem vocês perdoardes os pecados, os pecados serão perdoados" (Jo 20,21-23). Jesus deixou bem claro que ninguém vai se confessar comigo, com o Pai, com o Espírito Santo, vai confessar com "vocês"; a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados, porque essa é a lógica de Deus para a salvação da humanidade, e qual é essa lógica? O Pai mandou o Filho e o Filho enviou "a sua Igreja" (Lc 22,29), o Pai dispôs o Reino para o Filho e o Filho dispôs para a Igreja, para os Apóstolos. Cristo manda confessar com a Igreja, com os Apóstolos e os seus sucessores que são os Bispos, que dão aos Presbíteros a mesma incumbência pela sucessão apostólica.
- CIC 1444: Conferido aos apóstolos seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor também lhes dá a autoridade de reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta dimensão eclesial de sua tarefa exprime-se principalmente na solene palavra de Cristo a Simão Pedro: "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,19). "O múnus de ligar e desligar, que foi dado a Pedro consta que também foi dado ao colégio dos apóstolos, unido ao seu chefe" (cf. Mt 18,18;28,16-20).
A misericórdia e o pecado
- CIC 1846: O Evangelho é a revelação, em Jesus Cristo, da misericórdia de Deus para com os pecadores (Lc 15 - as três parábolas da misericórdia: "A ovelha perdida, a dracma perdida e o filho pródigo"). O anjo assim o disse a José: «Pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados» (Mt 1,21), o mesmo se diga da Eucaristia, sacramento da Redenção: «Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que vai ser derramado por todos para a remissão dos pecados» (Mt 26, 28).
- CIC 1847: Deus, que nos criou sem nós, não quis salvar-nos sem nós (Santo Agostinho, Serm., 169, 11, 13: PL 38,923). O acolhimento da sua misericórdia exige de nós a confissão das nossas faltas. Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e para nos purificar de toda a maldade (1 Jo 1,8-9).
A matéria do Sacramento da Confissão são três: a contrição, a confissão e a satisfação.
- Sobre a contrição: Consiste "numa dor da alma e detestação do pecado cometido, com a resolução de não mais pecar no futuro" (CIC 1451). Propósito e inicio de uma nova vida, mas também ódio da vida passada (Ez 18,31).
- Sobre a confissão: A matéria essencial é "expressar, dizer o pecado" (CIC 1455). Os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais que tem consciência depois de examinar-se seriamente, mesmo que esses pecados sejam muito secretos e tenham sido cometidos somente contra os dois últimos preceitos do decálogo (cf Ex 20,17;Mt 5,28). Todo fiel, depois de ter chegado a idade da discrição, é obrigado a confessar seus pecados graves, pelo menos uma vez por ano, e quem tem a consciência de ter cometido um pecado mortal não deve receber a Sagrada Comunhão antes de se confessar (CIC 1457). Foi instituída pelo Senhor a confissão integral dos pecados (Tg 5,16;1Jo 1,9;Lc 17,14). Jesus deixou os Sacerdotes como vigários seus, como presidentes e juízes a quem seriam confiados os pecados mortais (Mt 16,19.18,18).
- Sobre a satisfação: A integridade da matéria é "reparar o mal que eu fiz com atos de penitência" (CIC 1459, 1460). O próprio Senhor também falou da penitência com um juramento (Ez 35,11). Um dos frutos desse sacramento, se bem realizado, é a "paz que brota da reconciliação com o Senhor" (Rm 4,7-8;Sl 31,1-6).
- CIC 1458: Quem confessa os próprios pecados já está agindo em harmonia com Deus. Deus acusa teus pecados; se tu também os acusas, tu te associas a Deus. O homem e o pecador são, por assim dizer, duas realidades: quando ouves falar do homem, foi Deus quem o fez; quando ouves falar do pecador, é o próprio homem quem o fez. Destrói o que fizeste para que Deus salve o que Ele fez... Quando começas a detestar o que fizestes, é então que tuas boas obras começam, porque acusas tuas más obras. A confissão das más obras é o começo das boas obras. Contribuis para a verdade e consegues chegar a luz (Santo Agostinho - in Jo 12,13).
- CIC 1470: Pois é agora, nesta vida, que nos é oferecida a escolha entre a vida e a morte, e só pelo caminho da conversão poderemos entrar no Reino do qual "somos excluídos pelo pecado grave" (Cf. 1Cor 5,11;Gl 5,19-21;Ap 22,15). Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé, o pecador passa da morte para a vida "sem ser julgado" (Jo 5,24).
As penas do pecado
- CIC 1472: Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama "pena eterna" do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado "purgatório". Esta purificação liberta da chamada "pena temporal" do pecado.
- CIC 1473: O perdão do pecado e a restauração da comunhão com Deus implicam a remissão das penas eternas do pecado. Suportando pacientemente os sofrimentos e as provas de todo tipo e, chegada a hora, enfrentando serenamente a morte, o cristão deve esforçar-se para aceitar, como uma graça, essas penas temporais do pecado; deve aplicar-se, por meio de obras de misericórdia e de caridade, como também pela oração e por diversas práticas de penitências, a despojar-se completamente do "velho homem" para revestir-se do "homem novo" (Ef 4,24).






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