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Quem escreveu a Bíblia?

  • Foto do escritor: michelfiorio
    michelfiorio
  • 22 de abr. de 2023
  • 6 min de leitura

Atualizado: 18 de out. de 2025


Como a Bíblia foi escrita?


Os textos da Bíblia começaram a ser escritos desde os tempos anteriores a Moisés (1200 a.C.). Escrever era uma arte rara e cara, pois se escrevia em tábuas de madeira, papiro, pergaminho (couro de carneiro). Moisés foi o primeiro codificador das leis e tradições orais e escritas de Israel. Essas tradições foram crescendo aos poucos por outros escritores no decorrer dos séculos, sem haver uma catalogação rigorosa das mesmas. Assim foi se formando a literatura sagrada de Israel.

Até o século XVIII d.C., admitia-se que Moisés tinha escrito o Pentateuco (Gen, Ex, Lev, Nm, Dt); mas, nos últimos séculos, os estudos mais apurados mostraram que não deve ter sido Moisés o autor de toda esta obra. A teoria que a Igreja Católica aceita é a seguinte:

O povo de Israel, desde que Deus chamou Abrão de Ur na Caldéia, foi formando a sua tradição histórica e jurídica. Moisés deve ter sido quem fez a primeira codificação das Leis de Israel, por ordem de Deus, no séc. XIII a.C. Após Moisés, o bloco de tradições foi enriquecido com novas leis devido às mudanças históricas e sociais de Israel.

A partir de Salomão (972-932), passou a existir na corte dos reis, tanto de Judá quanto da Samaria (reino cismático desde 930 a.C.) um grupo de escritores que zelavam pelas tradições de Israel, eram os escribas e sacerdotes. Do seu trabalho surgiram quatro coleções de narrativas históricas que deram origem ao Pentateuco:


1. Coleção ou código Javista (J), onde predomina o nome Javé. Tem estilo simbolista, dramático e vivo; mostra Deus muito perto do homem. Teve origem no reino de Judá com Salomão (972-932).


2. O código Eloista (E), predomina o nome, Elohim (= Deus). Foi redigido entre 850 e 750 a.C., no reino cismático da Samaria. Não usa tanto o antropomorfismo (representa Deus à semelhança do homem) do código Javista.

Quando houve a queda do reino da Samaria, em 722 para os Assírios, o código E foi levado para o reino de Judá, onde houve a fusão com o código J, dando origem a um código JE.


3. O código (D) — Deuteronômio (= repetição da Lei, em grego). Acredita-se que teve origem nos santuários do reino cismático da Samaria (Siquém, Betel, Dã,…) repetindo a lei que se obedecia antes da separação das tribos. Após a queda da Samaria (722) este código deve ter sido levado para o reino de Judá, e tudo indica que tenha ficado guardado no Templo até o reinado de Josias (640-609 a.C.), como se vê em 2Rs 22. O código D sofreu modificações e a sua redação final é do século V a.C., quando, então, na íntegra, foi anexado à Torá. No Deuteronômio se observa cinco “deuteronômios” (repetição da lei). A característica forte do Deuteronômio é o estilo forte que lembra as exortações e pregações dos sacerdotes ao povo.


4. O código Sacerdotal (P) — provavelmente os sacerdotes judeus durante o exílio da Babilônia (587-537 a.C.) tenham redigido as tradições de Israel para animar o povo no exílio. Este código contém dados cronológicos e tabelas genealógicas, ligando o povo do exílio aos Patriarcas, para mostrar-lhes que fora o próprio Deus quem escolheu Israel para ser uma nação sacerdotal (Ex 19,5s). O código P enfatiza o Templo, a Arca, o Tabernáculo, o ritual, a Aliança. Tudo indica que no século V a.C., um sacerdote, talvez Esdras, tenha fundido os códigos JE e P, colocando como apêndice o código D, formando assim o Pentateuco ou a Torá, como a temos hoje.


Os Livros que compõem a Bíblia católica


Vamos apresentar a composição da Bíblia católica, usada desde os Apóstolos, pelos Santos Padres, pelos santos Doutores, e por toda a Igreja. Ela é composta de 73 livros, contando Lamentações e Jeremias separados. São 46 Livros do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento.


A. Antigo Testamento

Das Origens aos Reis — 7 Livros: — Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué e Juízes.


Dos Reis de Israel e o Exílio — 7 Livros: — Rute, Samuel I, Samuel II, Reis I, Reis II, Crônicas I e Crônicas II.


Fatos após o Exílio na Babilônia — 7 Livros: — Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Macabeus I e Macabeus II.


Livros Sapienciais — Ensino e Oração — 7 Livros: — Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos, Eclesiástico (ou Sirac) e Sabedoria.

Profetas Maiores — Pregações — 6 Livros: — Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel e Daniel.


Profetas Menores — 12 Livros: — Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.


B. Novo Testamento


Evangelhos e Atos dos Apóstolos — 5 Livros: — Mateus, Marcos, Lucas, João e Atos dos Apóstolos.

Cartas de São Paulo — 14 Livros: — Carta aos Romanos, Coríntios I e II, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, Tessalonicenses I e II, Timóteo I e II, Tito, Filemon, Hebreus.


Cartas dos outros Apóstolos — 8 Livros: — Carta de Tiago, Pedro I e II, João I, II e III, Judas, Apocalipse.


Por que a Bíblia católica é diferente da protestante?


A bíblia protestante tem apenas 66 livros porque Lutero e, principalmente os seus seguidores, rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-6; Daniel 3,24-30.13-14. A razão disso vem de longe.

No ano 100 da era cristã, os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia, no sul da Palestina, a fim de definirem a Bíblia judaica. Isto porque nesta época começava surgir o Novo Testamento com os Evangelhos e as cartas dos Apóstolos, que os judeus não aceitaram. Nesse Sínodo os rabinos definiram como critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia, o seguinte:


  1. deveria ter sido escrito na Terra Santa;

  2. escrito somente em hebraico, nem aramaico e nem grego;

  3. escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);

  4. sem contradição com a Torá ou a lei de Moisés.

Esses critérios eram nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilônia. Por esses critérios não foram aceitos na Bíblia judaica da Palestina os livros que hoje não constam na Bíblia protestante, citado antes.

Acontece que em Alexandria no Egito, cerca de 200 anos antes de Cristo, já havia uma forte colônia de judeus, vivendo em terra estrangeira e falando o grego. Os judeus de Alexandria, através de 70 sábios judeus, traduziram os livros sagrados para o grego, entre os anos de 250 e 100 a.C., antes do Sínodo de Jâmnia (100 d.C.). Surgiu assim a versão grega.


Havia então no início do cristianismo duas Bíblias judaicas: uma da Palestina (restrita) e a Alexandrina (completa - versão dos LXX). Os Apóstolos e Evangelistas optaram pela Bíblia completa dos Setenta (Alexandrina), considerando canônicos os livros rejeitados em Jâmnia. Ao escreverem o Novo Testamento usaram o Antigo Testamento, na forma da tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico.


O texto grego "dos Setenta" tornou-se comum entre os cristãos; e, portanto, o cânon completo, incluindo os sete livros e os fragmentos rejeitados de Ester e Daniel, passou para o uso dos cristãos.

Das 350 citações do Antigo Testamento que há no Novo, 300 são tiradas da Versão dos Setenta, o que mostra o uso da Bíblia completa pelos apóstolos. Verificamos também que nos livros do Novo Testamento há citações dos livros que os judeus nacionalistas da Palestina rejeitaram. Por exemplo: Rm 1,12-31 se refere a Sb 13,1-9 - Rm 13,1 a Sb 6,3 - Mt 27,43 a Sb 2,13-18 - Tg 1,19 a Eclo 5,11 - Mt 11,29s a Eclo 51,23-30 - Hb 11,34 a Mac 6,18.7,42 - Ap 8,2 a Tb 12,15.

Nos séculos II a IV houve dúvidas na Igreja sobre os sete livros devido à dificuldade do diálogo com os judeus. Finalmente a Igreja, ficou com a Bíblia completa dos Setanta, incluindo os sete livros.


Por outro lado, é importante saber também que muitos livros que todos os cristãos têm como canônicos, não são citados nem mesmo implicitamente no Novo Testamento, Por exemplo: Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos, Neemias, Abdias, Naum, Rute.

Outro fato importantíssimo é que nos mais antigos escritos dos santos Padres da Igreja (Patrística) os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagradas Escritura. Assim, São Clemente de Roma, o quarto Papa da Igreja, no ano de 95 escreveu a carta aos Coríntios, citando Judite, Sabedoria, fragmentos de Daniel, Tobias e Eclesiástico; livros rejeitados pelos protestantes.

Ora, será que o Papa São Clemente se enganou, e com ele a Igreja? É claro que não. Da mesma forma, o conhecido Pastor de Hermas, no ano 140, faz amplo uso de Eclesiástico, e do 2 Macabeus; Santo Hipólito (234), comenta o livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos rejeitados pelos protestantes, e cita como Sagrada Escritura Sabedoria, Baruc, Tobias, 1 e 2 Macabeus.


Fica assim, muito claro, que a Sagrada Tradição da Igreja e o Sagrado Magistério sempre confirmaram os livros deuterocanônicos como inspirados pelo Espírito Santo.


COM EFEITO, IGNORAR AS ESCRITURAS É IGNORAR CRISTO (DEI VERBUM 25).



 
 
 

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