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Purgatório

  • Foto do escritor: michelfiorio
    michelfiorio
  • 24 de dez. de 2022
  • 8 min de leitura

Atualizado: 12 de jul. de 2025



O Purgatório



A Doutrina da Igreja a respeito do purgatório se baseia, na verdade; entrará no céu a nossa verdade, mas qual verdade é essa? É de uma imensa MISÉRIA e de uma infinita MISERICÓRDIA de Deus. Quando a miséria se encontra com a misericórdia acontece aquela "dor do filho pródigo"; pequei contra o céu e contra a Ti, não sou digno de ser chamado teu filho, no entanto, Deus continua amando e fazendo a festa. Esta DOR de saber o quanto eu fui amado, mas o quanto eu infelizmente não amei de volta chama-se PURGATÓRIO.


A Igreja Crê que existe um purgatório, e que nós poderíamos evitar essa "grande dor", esse grande "fogo purificador" depois da nossa morte, se já aqui na terra vivêssemos a PENITÊNCIA.


O que é uma vida de Ascese, uma vida penitencial?


É uma vida em que a pessoa, através da penitência já aqui neste mundo, enxergar a verdade da sua miséria e a verdade da infinita misericórdia de Deus. A penitência não é para pagar os meus pecados, mas é para que eu tome posse dessa miséria que eu sou e apresente diante de Deus.


Nós não estamos comprando a salvação, estamos somente assumindo a salvação que Nosso Senhor já adquiriu para nós. Trata-se de entrar com fé verdadeira, ou seja, uma fé como diz São Tiago que se manifesta pelas obras: as obras de caridade, as obras de rejeitar o mundo, as obras de lutar contra o pecado.

A acusação é sempre a mesma: o purgatório não está na Bíblia?

Bom, certamente essa palavra não está na Bíblia, assim como a palavra Trindade também não está na Bíblia, mas o conceito de purgatório certamente está nas paginas das Escrituras.


Em primeiro lugar, há passagens que mostram que orar pelos mortos é prática comum no povo de Deus, como, por exemplo, (2Mc 12,43) no Antigo Testamento, onde se recomenda as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos, e em (2Tm 1,18), no Novo Testamento, no qual São Paulo ora pela alma de seu amigo falecido, Onésiforo. Em segundo lugar, há aquelas passagens que falam sobre a necessidade de uma purificação final após a morte, como em (1Cor 15,29), e em Apocalipse fala que nada que esteja perfeitamente limpo há de entrar no céu (Ap 21,27)

por fim, a Bíblia é muito clara em dizer que devemos buscar a santidade, pois sem a santidade ninguém verá o Senhor, de modo que o purgatório é essa graciosa purificação de Deus, para atingirmos a SANTIDADE E ESTEJAMOS PRONTOS PARA VER O SENHOR.


Conceito do Purgatório no Novo Testamento


Com base nos ensinamentos de São Paulo, a Igreja entendeu também a realidade do Purgatório. Em 1Cor 3,13-15, ele fala de pessoas que construíram sobre o fundamento que é Jesus Cristo, utilizando uns, material precioso, resistente ao fogo (ouro, prata, pedras preciosas) e, outros, materiais que não resistem ao fogo (palha, madeira). São todos fiéis a Cristo, mas uns com muito zelo e fervor, e outros com tibieza e relutância. E S. Paulo apresenta o juízo de Deus sob a imagem do fogo a provar as obras de cada um. Se a obra resistir, o seu autor “receberá uma recompensa”; mas, se não resistir, o seu autor “sofrerá detrimento”, isto é, uma pena; que não será a condenação; pois o texto diz explicitamente que o trabalhador “se salvará, mas como que através do fogo”, isto é, com sofrimentos.


Na passagem de Mc 3,29, também há uma imagem nítida do Purgatório:”Mas, se o tal administrador imaginar consigo: ‘Meu senhor tardará a vir’. E começar a espancar os servos e as servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo virá no dia em que não o esperar (…) e o mandará ao destino dos infiéis. O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu senhor, nada preparou e lhe desobedeceu será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu senhor, fizer coisas repreensível será açoitado com poucos golpes.” (Lc 12,45-48). É uma referência clara ao que a Igreja chama de Purgatório. Após a morte, portanto, há um “estado” onde os “pouco fiéis” haverão de ser purificados.


Outra passagem bíblica que dá margem a pensar no Purgatório é a de (Lc 12,58-59): “Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, fazer o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao executor, e o executor te ponha na prisão. Digo-te: não sairás dali, até pagares o último centavo.”


O Senhor Jesus ensina que devemos sempre entrar “em acordo” com o próximo, pois caso contrário, ao fim da vida seremos entregues ao juiz (Deus), nos colocará na “prisão” (Purgatório); dali não sairemos até termos pago à justiça divina toda nossa dívida, “até o último centavo”. Mas um dia haveremos de sair. A condenação neste caso não é eterna. A mesma parábola está´ em Mt 5, 22-26: “Assume logo uma atitude reconciliadora com o teu adversário, enquanto estás a caminho, para não acontecer que o adversário te entregue ao juiz e o juiz ao oficial de justiça e, assim, sejas lançado na prisão. Em verdade te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo” . A chave deste ensinamento se encontra na conclusão deste discurso de Jesus: serás lançado na prisão”, e dali não se sai “enquanto não pagar o último centavo”.


Em Mt 12,32, quem blasfemar contra o Espírito Santo não lhe será perdoado nem nesse presente século, nem no século futuro. diz a Igreja: "Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras noséculo futuro".


A Passagem de São Pedro 1Pe 3,18-19; 4,6, indica-nos também a realidade do Purgatório:”Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados (…) padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos na prisão, aqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes (…).” Nesta “prisão” ou “limbo” dos antepassados, onde os espíritos dos antigos estavam presos, e onde Jesus Cristo foi pregar durante o Sábado Santo, a Igreja viu uma figura do Purgatório. O texto indica que Cristo foi pregar “àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes”. Temos, portanto, um “estado” onde as almas dos antepassados aguardavam a salvação. Não é um lugar de tormento eterno, mas também não é um lugar de alegria eterna na presença de Deus, não é o céu. È um “lugar” onde os espíritos aguardavam a salvação e purificação comunicada pelo próprio Cristo.


Essas são as referências Bíblicas do Novo testamento para o purgatório! Então é uma informação descabida essa de que a doutrina do purgatório não pode ser provada absolutamente!


O que o catecismo fala sobre purgatório.


- CIC 1030: A alma que está no purgatório é certeza do céu, ela está se purificando para ter a santidade necessária para a alegria do céu.


- CIC 1031: Não existe salvação no purgatório, porque já estão salvos e nem salvação no inferno, porque já estão condenados. A sagrada escritura fala no perdão no século futuro (vindouro), mostra que nem no céu e nem no inferno e sim no purgatório, porque lá que acontece a purificação.


- CIC 1032: Prática de oração pelos defuntos da qual a Sagrada Escritura fala: Eis por que ele [Judas Macabeu] mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos os seus pecados (2Mc 12,46).


O que os santos Padres falam sobre o Purgatório?


- Clemente de Alexandria (150 - 215 D.C.): Através de grande disciplina crente se despoja das suas paixões e passa a mansão melhor que a anterior; passa pelo maior dos tormentos, tomando sobre si o arrependimento das faltas que possa ter cometido após seu batismo. Então, é torturado mais ao ver que não conseguiu o que os outros já conseguiram. Os maiores tormentos são atribuídos ao crente porque a justiça de Deus é boa e sua bondade é justa; e estes castigos completam o curso da expiação e purificação de cada um. (Estrômatos 4,14).


- Tertuliano de Cartago (160 - 225 D.C.): A alegoria do Senhor (cf Mt 5,25-26) [...] é extremamente clara e simples em seu significado [...] [toma cuidado para que não te tornes] como um transgressor de teu contrato diante de Deus, o justo juiz [...] e para que este juiz não envie um anjo sobre ti, para executar a sentença e te enviar à prisão inferior [purgatório], de onde não há saída até que o menor de teus delitos sejam apagados no período anterior à ressurreição [da carne]. Pode haver coisa mais lógica que esta? Há alguma interpretação melhor? (da alma 35).


- Orígenes de Alexandria (185 - 253 D.C.): Se alguém parte desta vida com faltas leves, é condenado ao fogo que elimina todos os materiais combustíveis e prepara a alma para o Reino de Deus, onde nada impuro pode entrar, pois se sobre o fundamento de Cristo construíste não apenas ouro e prata, mas pedras preciosas e ainda madeira, cana e palha, o que esperas que ocorra quando a alma seja separada do corpo? Entrarias no céu com tua madeira, cana e palha e, deste modo, mancharias o Reino de Deus? (PG 13, 445,448).


- São Cipriano de Cartago (? - 258 D.C.): Uma coisa é pedir perdão; outra coisa, alcançar a glória. Uma coisa é ser torturado com longo sofrimento pelos pecados, para ser limpo, completamente purificado pelo fogo; outra coisa é ter sido purificado de todos os pecados pelo sofrimento. Uma coisa é estar suspenso até que ocorra a sentença de Deus no Dia do Juízo; outra coisa é ser coroado pelo Senhor (carta 51,20).


- Lactâncio (240 - 320 D.C.): Porém, quando julgar os justos, Ele também os provará com fogo. Então, aqueles cujos pecados excederem em peso ou número, serão chamuscados pelo fogo, queimados; mas aqueles, a quem imbuiu a justiça e plena maturidade da virtude, não perceberão esse fogo, porque eles têm algo de Deus neles mesmos, que repele e rejeita a violência da chama (Instituições 7,21).


- São Basílio Magno (330 - 379 D.C.): Penso que os valorosos atletas de Deus, os quais durante toda a sua vida, estiveram frequentemente em luta contra os seus inimigos invisíveis, após terem superados os seus ataques, ao chegarem ao fim se suas vidas serão examinados pelo príncipe do século, a fim de que, se em consequência das lutas tiverem algumas feridas ou certas manchas, ou vestígios de pecado, sejam detidos; porém, se são encontrados imunes e incontaminados, como invictos e livre, encontram o descanso junto a Cristo (Homilia sobre os Salmos 7,2).


- São Cirilo de Jerusalém (313 - 386 D.C.): Rezamos pelos nossos santos pais e bispos falecidos e, em geral, por todos os que já adormeceram antes de nós. Acreditamos que a oração aproveitará sumamente a suas almas ao ser feita quando está sobre o altar a santa e temível Vítima (Leituras Catequéticas 23, 5,9).


- São Gregório Magno (†604): Papa e doutor da Igreja, explicava o Purgatório a partir de uma palavra de Jesus: “No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem no presente século, nem no século futuro (Mt 12,31).

Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro” (Dial. 41,3). O pecado contra o Espírito Santo, ou seja, a pessoa que recusa de todas as maneiras os caminhos da salvação, não será perdoado nem neste mundo, nem no mundo futuro. Mostra o Senhor Jesus, então, neste trecho, implicitamente, que há pecados que serão perdoados no mundo futuro, após a morte.

 
 
 

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