Profeta Ezequiel
- michelfiorio
- 22 de set. de 2024
- 6 min de leitura

O profeta Ezequiel (= Deus dá força), era sacerdote, casado, e perdeu a esposa um pouco antes da queda de Jerusalém em 587 aC.
Exerceu o seu ministério aproximadamente de 593 até 571 aC e, segundo uma tradição judaica, morreu apedrejado pelos judeus. Acompanhou o povo de Judá na fase mais crítica da sua história, quando Jerusalém caiu sob Nabucodonosor e o povo foi deportado pela primeira vez para a Babilônia (598 aC).
Para começarmos compreender o Livro de Ezequiel, vamos recordar alguns fatos da história do povo hebreu até chegarmos de fato ao objetivo do profeta Ezequiel: Mostrar para o povo hebreu onde erraram!
Durante 40 anos Deus abriu o mar, Deus mandava maná, Deus mandou uma nuvem de glória, Deus mandou coluna de fogo, Deus libertou o povo das picadas de cobra em Madiã. Moises morreu, Josué assumiu o lugar de Moises, e acontece a queda das muralhas de Jericó, e depois de 40 anos, enfim o povo agora mora na terra prometida.
Porem, o Senhor deixa uma orientação para o povo no capítulo 1 de Josué: Se você quer ter sucesso em tudo aquilo que vocês vão viver na terra “NÃO DEIXE DE OUVIR A MINHA PALAVRA E NÃO DESVIE DESSA PALAVRA NEM PARA ESQUERDA E NEM PARA A DIREITA”, pois se deixares de ouvir a minha Palavra vai ter consequências graves, mas o povo entrou na terra prometida e esqueceu da Palavra.
Durante trezentos anos Deus amava aquele povo e aquele povo fora da Palavra a ponto de Josué reunir o povo na praça e dizer: “Eu não sei quanto a vocês, mas eu e minha casa serviremos ao Senhor (Js 15,24), mas durante trezentos anos aquele povo esqueceu a Palavra, mas tem uma coisa que no mundo espiritual não se fala mais: “aquilo que você não aprende pelo amor, Deus permite que você aprenda pela dor”.
É vontade de Deus que a gente aprenda pela dor? Não, conseguinte, é por isso que Deus teve misericórdia durante trezentos anos daquele povo, e para não te perder, Deus permite que você aprenda pela dor, e é por isso que Santo Inácio de Loyola disse: que de todo mal, Deus acaba tirando um bem maior.
Então, Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu a cidade sagrada de Davi, o templo foi destruído - e até hoje os judeus no muro das lamentações choram porque eles acreditam que a glória de Deus (a Shekinah) está naquele templo destruído.
É triste quando vemos na Bíblia, Jerusalém chamada como cidade de abutres, porque só tinha cadáver e sangue humano descendo pelas calçadas. Era isso que Deus queria? Não era, mas aquele povo abandonou a Palavra, desviou da Palavra, e QUANDO AGENTE NÃO APRENDE PELO AMOR, DEUS PERMITE QUE NÓS APRENDAMOS PELA DOR.
Agora, Nabucodonosor, rei da Babilônia vai pegar dois milhões de pessoas que Deus amou, que Deus abriu o mar, que Deus mandou maná, que Deus mandou nuvem de glória, que Deus mandou coluna de fogo, esse povo que Deus amava, agora vai ser transportado a pé, 2.000 mil quilômetros para o sul da Babilônia, num lugar chamado EXÍLIO, e eles vão ficar setenta anos comendo o “pão que o diabo amassou”, por quê? ABANDONARAM A PALAVRA.
Nessa primeira ida para o exílio, vão os jovens, vai Daniel - que vai ser trocado o nome por Beltessazar, aqueles três jovens, Missael, Ananias e Azarias que, chegando lá, Nabucodonosor vai trocar o nome deles para Sidrac, Misac e Abdênogo – eles serão jogados na fornalha, e Daniel na cova dos leões por brigar pela sua fé. Vai só jovens, porque Nabucodonosor quer pegar os jovens hebreus para transformá-los em soldados do inimigo. Na segunda caravana vai gestantes, lactantes, idosos, e na terceira caravana vai esse menino chamado EZEQUIEL. E agora eles vão passar pela prova!
E o que vai acontecer lá durante setenta anos? Quem narra isso é o Salmo 137: Todos os dias sentávamos na beira dos canais da babilônia para chorar (durante setenta anos antes do café, de jejum, o povo chorava, dolorido; com culpa, com medo, com depressão, com tristeza, com angústia, com autoacusação).
Por que eles estavam passando por isso? PORQUE ESQUECERAM DA PALAVRA. E continua o Salmo: dependurávamos nossas harpas e nossas cítaras porque não tínhamos vontade de tocar nem cantar (mas os soldados batiam em nós e nos obrigavam cantar e tocar sem ter vontade enquanto davam risadas).
Precisava disso? Não precisava, mas se não aprende pelo amor se aprende pela dor.
E onde aquele povo errou? ESQUECERAM A PALAVRA. Continua o Salmo: fizemos um pacto, que se prenda a minha língua ao céu da boca se de ti Jerusalém eu me esquecer. (Que pacto é esse? A gente era feliz, Deus estava entre nós, as portas se abriam, quantos livramentos, Deus nos deu, e aquele povo era obrigado ficar lembrando das glórias do passado para se manter vivos, e se algum momento se esquecesse das glórias do passado, que de castigo a língua colasse no céu da boca para eles não esquecerem que DEUS FOI FIEL, QUEM FOI INFIEL FOMOS NÓS, porque ESQUECEMOS DA PALAVRA).
Enquanto esse povo está na babilônia, Deus começa a levantar profetas com motivos diferentes. Deus levanta o profeta Jeremias para dar aquele povo uma visão de esperança, Deus levanta o profeta Isaias para dar consolo, mas o profeta EZEQUIEL foi levantado com um único objetivo: MOSTRAR PARA ELES ONDE ERRARAM QUANDO ESQUECERAM DA PALAVRA (Ez 2,1-9).
Ezequiel, muito jovem, filho de um sacerdote chamado Betuel, onde seu livro tem 47 capítulos e trinta e seis visões. Deus fala com ele por visões, e o Senhor disse para Ezequiel: Vem cá, para você falar com o povo onde eles erraram quando esqueceram da Palavra, eu preciso que você “coma a Palavra” (Ez 2,8), então, ele tem uma visão que um anjo chega para ele com uma bandeja onde está o pergaminho (no Antigo Testamento; os profetas maiores, os profetas menores, a Torá, o livro da Lei, mas que hoje é a nossa Bíblia), e o profeta Ezequiel recebe uma bandeja com a Palavra, e o Senhor diz: come, e ele diz; come como, e enquanto ele comia teve o seguinte discernimento: quando descia pela minha boca era doce como um mel, mas quando chegou no estômago era amargo como um fel (Ez 3, 1-3), porque é muito bonito, mas, na prática, é azedo viver, e o Senhor disse: foi isso que Israel fez comigo; Israel ficou com os lábios falando que estava tudo lindo, mas, na prática, eles esqueceram da minha Palavra. Agora levanta-te e vai até a casa de Israel (Ez 3, 4-9) e diga para eles que foi isso que eles fizeram comigo, eles traíram a minha Palavra, e que se eles não voltarem a acreditar na minha Palavra e obedecer a minha Palavra, eu não os tiro daqui, eu vou deixá-los morrerem nesse lugar.
Todo o discurso de Ezequiel na Babilônia é a Palavra. Foi por isso que ele comeu a Palavra, para mostrar QUE SE NÓS NÃO VOLTARMOS PARA A PALAVRA, NÓS FICAREMOS ESCRAVOS DA TERRA DO INIMIGO E NÃO PODEREMOS VOLTAR PARA TRÁS.
Que Palavra é essa? De Deus! Jesus foi tentado pelo diabo no deserto com três textos da Palavra, e Jesus afastou o diabo com três textos da Palavra. Quando São Paulo monta a armadura do cristão... tomai a espada do Espírito, a qual é a Palavra de Deus (Ef 5,14-17), portanto, qual é a maior arma que o cristão tem: é a Palavra. Ninguém tem contra argumento contra a Palavra, porque em (Hb 4,12-13) a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir a alma e o espírito. Quando São Mateus narra em (Mt 12,48-50) quem é minha mãe; Jesus fala: “todo aquele que escuta e vive a Palavra é a minha mãe”. Jesus só estava reafirmando que Maria estava vivendo a Palavra na íntegra, tanto é, que quando ela sobe até a casa de Isabel e começa a cantar o MAGNIFICAT; o canto mais perfeito da face da terra, que tem pedaços do cântico de Moises, pedaço do Êxodo, pedaços do cântico de Ana, e Maria começa a cantar e Isabel disse para ela: as coisas hão de acontecer em você porque você creu na Palavra que o anjo anunciou para você (Lc 1, 45-55). São Pio disse: algumas das minhas crises eu encontrei respostas no Rosário, outras das minhas crises eu achei respostas na Eucaristia, mas quando o diabo queria entrar na minha mente, eu vencia o diabo na Palavra.
Ezequiel deixou bem claro para o povo, no exílio, que o Templo de Jerusalém seria destruído, o que o povo não acreditava. Em 587 aC, ocorreu de fato a queda e a destruição de Jerusalém.
O livro de Ezequiel tem quatro partes: 1- (Cap. 4-24), onde censura os judeus antes da queda de Jerusalém devido a seus pecados; 2- (cap. 25-32), que contém oráculos contra os povos estrangeiros que oprimiram os hebreus; 3- (cap. 33-39), consola o povo durante e após o cerco de Jerusalém, prometendo-lhe tempos melhores; 4- (cap. 40-48), descreve a nova cidade e o novo Templo após a volta do exílio.
TUA PALAVRA É LÂMPADA PARA OS MEUS PÉS, E LUZ PARA O MEU CAMINHO (Sl 119,105)






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