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Palavras de Jesus na Cruz

  • Foto do escritor: michelfiorio
    michelfiorio
  • 14 de fev. de 2024
  • 5 min de leitura

Atualizado: 25 de jan.




Mas o que faz Jesus vendo-se alvo de tantos ultrajes? O que diz? Intercede por aqueles que assim o maltratam: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). Jesus orou então também por nós, pecadores. Por isso, voltados para o Eterno Pai, digamos com confiança: Ó Pai, ouvi a voz deste Filho querido que vos pede para perdoar-nos. Um tal perdão é sem dúvida grande misericórdia com relação a nós, que não merecíamos; mas é justiça com relação a Jesus que super satisfez abundantemente por nossos pecados. Vós vos obrigastes, pelos méritos de Jesus, a perdoar e a receber na vossa graça quem se arrepende das ofensas que vos fez. Ó meu Pai, eu me arrependo de todo o meu coração de vos ter ofendido e em nome desse vosso Filho vos peço perdão: perdoai-me e recebei-me na vossa graça.


"DOMINE, MEMENTO MEI CUM VENERIS IN REGNUM TUUM" (Senhor, Lembra-te de mim quando entrares no teu reino - Lc 23,42). Assim foi que se dirigiu o bom ladrão a Jesus agonizante, que lhe respondeu: "Em verdade eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43). Assim se cumpriu o que Deus já havia dito por Ezequiel: que quando um pecador se arrepende de suas culpas, Deus lhe perdoa e se esquece das ofensas que lhe foram feitas: "Se, porém, o ímpio fizer penitência... não me recordarei mais de todas as suas iniquidades" (Ez 18,21), Ó Piedade imensa, ó bondade infinita de meu Deus, quem deixará de vos amar? Sim, meu Jesus, esquecei-vos das injúrias que vós fiz, e recordai-vos da morte tão cruel que por mim sofrestes: e por ela dai-me o vosso reino na outra vida e na presente fazei reinar em mim o vosso santo amor. Que somente o vosso santo amor domine o meu coração, e seja ele o meu único Senhor, o meu único desejo, o meu único amor. Ó feliz ladrão que mereceste acompanhar com paciência a morte de Jesus! E feliz de mim, ó meu Jesus, se tiver a sorte de morrer amando-vos e unindo a minha morte à vossa santa morte.


"STABANT AUTEM JUXTA CRUCEM JESU MATER EJUS" ("Estava, porém, ao pé da cruz de Jesus, sua Mãe - Jo 19,25"). Considera, minha alma, Maria ao pé da cruz, que transpassada de dores e com os olhos fixos no amado e inocente Filho, contempla as crudelíssimas dores externas e internas no meio das quais Ele morre. Ela está toda resignada e em paz, oferecendo ao Eterno Pai a morte do Filho por nossa salvação. Mas muito a afligem a compaixão e o amor. Oh Deus! Quem não se compadeceria de uma mãe que se encontrasse junto ao patíbulo do filho que lhe está morrendo diante dos olhos? Mas aqui devemos considerar quem seja essa Mãe e quem, seja esse Filho. Maria amava esse Filho imensamente mais do que todas as mães amam os seus filhos. Ela amava Jesus por ser, ao mesmo tempo, seu Filho e seu Deus: Filho sumamente amável, incomparavelmente belo e santo, Filho que lhe fora sempre respeitoso e obediente, Filho que tanto a amara e que desde a eternidade a escolhera por mãe. E essa Mãe foi quem teve de ver morrer de dores um tal filho, diante de seus olhos, naquele lenho infame, sem que lhe pudesse dar o menor alívio. Ao contrário, sua presença aumentava o tormento do Filho ao vê-la padecer assim por seu amor. Ó Maria, pelas dores que sofrestes na morte de Jesus, tende piedade de mim e recomendai-me ao vosso Filho. Ouvi como Ele, na pessoa de São João, entrega-me a vós: "Mulher, eis aí teu Filho" (Jo 19,26).


"ET CIRCA HORAM NONAM CLAMAVIT IESUS VOCE MAGNA, DICENS: DEUS MEUS, DEUS MEUS, UT QUID DERELIQUISTI ME?" (E perto da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? - Mt 27,46). Jesus agonizando na cruz, com o corpo estarrecido de dor e o espírito inundado de aflição, pois que aquela tristeza que o assaltou no horto o acompanhou até o último suspiro de sua vida, procura alguém que o console, mas não encontra ninguém, como já predissera Davi: "Esperei alguém que me consolasse e não o encontrei" (Sl 68,21). Olha para sua Mãe e esta não o consola; antes, mais o aflige com sua presença. Olha ao redor e vê que todos se mostram como seus inimigos. Vendo-se assim privado de toda consolação, volta-se para seu Eterno Pai a pedir-lhe alívio. Porém, vendo-o coberto com todos os pecados dos homens, pelos quais Ele estava na cruz a satisfazer sua justiça divina, o Eterno Pai também permite que ele morra consumido de dores. E foi então que Jesus, para exprimir a veemência de seu sofrimento, gritou dizendo: Meu Deus, meu Deus, por que até vós me abandonais? A morte de Jesus foi, pois, uma morte mais atroz que a de todos os mártires, pois que foi uma morte inteiramente desolada e privada de todo o alívio. Mas, ó meu Jesus, se vos oferecestes espontaneamente a uma morte tão dura, por que então vos lamentais? Ah, eu vos compreendo, vós vos lamentais para nos fazer compreender a pena excessiva com que morreis, e para nos dar, ao mesmo tempo, ânimo para confiar e nos resignarmos no tempo em que nos virmos desolados e privados da assistência sensível da graça divina. Meu doce redentor, esse vosso abandono me faz esperar que Deus não me abandonará, apesar de tê-lo traído tantas vezes. Ó meu Jesus, como pude viver tanto tempo esquecido de vós? Agradeço-vos por vos não terdes esquecido de mim. Suplico-vos que me façais recordar sempre da morte cruel que sofrestes por meu amor, para eque eu não me esqueça mais de vós e do amor que me consagrastes. Sabendo, entretanto, o Salvador que o seu sacrifício já estava consumado, disse que tinha sede e os soldados puseram-lhe nos lábios uma esponja embebida em vinagre: "Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir ainda a Escritura, disse: tenho sede… Eles lhe chegaram à boca uma esponja ensopada em vinagre". A Escritura que devia cumprir-se era a profecia de Davi: "E na minha sede deram-me vinagre para beber" (Sl 68,22). Mas, Senhor, vós não vos queixais de tantas dores que vos arrebatam a vida, e vos lamentais da sede? Ah, a sede de Jesus era diferente daquela que pensamos. A sede que Ele tem é o desejo de ser amado pelas almas pelas quais morre. Logo, ó Jesus meu, vós tendes sede de mim, verme miserável e eu não terei sede de vós, bem infinito? Ah, sim, eu vos quero, eu vos amo e desejo agradar-vos em tudo. Ajudai-me, Senhor, a expulsar de meu coração todos os desejos terrenos, e fazei que em mim reine o único desejo de agradar-vos e fazer vossa vontade. Ó santa vontade de Deus, vós que sois a feliz fonte que saciais as almas enamoradas: saciai-me também, e sede o alvo de todos os meus pensamentos e de todos os meus afetos.




 
 
 

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