Pai das misericórdias
- michelfiorio
- 22 de mar. de 2025
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Atualizado: 13 de jul. de 2025

Jesus narra a belíssima parábola do filho pródigo (Lc 15,1-3;11-32): o pai que tinha dois filhos, e nós somos convocados por Jesus a nos colocarmos no lugar desses dois filhos.
O primeiro filho somos nós quando pecamos; dai-me a parte da herança e partiu para o mundo esbanjar seu dinheiro com o pecado, e acaba invejando até a comida dos porcos. Deus nos chama de volta e a graça de Cristo em nossos corações faz com que decidamos retornar para a casa do Pai. Uma das coisas que Deus usa para a “conversão” das pessoas chama-se “DESGRAÇA”, porque nossa vida longe de Deus nos encontramos realmente com a miséria do filho prodigo.
Tem um outro filho que ficou em casa, não é que ele seja impecável, existe aí outro pecado para qual Jesus quer chamar nossa atenção: é que esse filho é “surdo aos apelos do pai”. O pai dá demonstrações de amor o tempo todo, mas esse filho não houve, essa é a segunda realidade que Deus usa para a nossa conversão, a benção, Deus usa misericórdia, a bondade, a palavra, os conselhos paternos, e com os apelos da sua misericórdia vai nos chamando. Essas são as duas formas que Deus usa para converter os seus filhos. E NÓS, NÃO VAMOS NOS ABRIR PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS?
Amor e misericórdia de Deus (Antigo Testamento)
Atenção de Deus para com os homens: Deus, embora tão grande, está próximo e atento a todo homem, especialmente aos mais miseráveis. Ele vê e acompanha nossa situação:
O Senhor disse: “Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores devido a seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos. E desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir do Egito para uma terra fértil e espaçosa, uma terra que mana leite e mel, lá onde habitam os cananeus, os hiteus, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus. Agora, eis que os clamores dos israelitas chegaram até mim, e vi a opressão que lhes fazem os egípcios" (Ex 3,7-9).
Apenas clamaram os justos, o Senhor os atendeu e os livrou de todas as suas angústias. O Senhor está perto dos contritos de coração, e salva os que têm o espírito abatido (Sl 33,18-19).
Os olhos do Senhor estão voltados para aqueles que o temem; ele é um poderoso protetor, um sólido apoio, um abrigo contra o calor, uma tela contra o ardor do meio-dia, um sustentáculo contra os choques, um amparo contra a queda. Ele eleva a alma, ilumina os olhos; dá saúde, vida e bênção (Eclo 34,19-20).
Misericórdia de Deus: Deus em sua misericórdia é refúgio, repouso, salvação e perdão:
“Senhor, Senhor, Deus compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e em fidelidade (Ex 34,6).
Mas vós sois um Deus sempre pronto ao perdão, clemente e compassivo, vagaroso em encolerizar-se e rico em bondade e assim não os abandonastes (Ne 9,17b).
Mas vós, Deus nosso, sois benfazejo e verdadeiro, vós sois paciente e tudo governais com misericórdia; com efeito, mesmo se pecamos, somos vossos, porque conhecemos vosso poder; mas não pecaremos, cientes de que somos considerados como vossos. Porque conhecer-vos é a perfeita justiça, e conhecer vosso poder é a raiz da imortalidade (Sb 15,1-3).
Quão grande é a misericórdia do Senhor, e o perdão que concede àqueles que para ele se voltam! (Eclo 17,29).
A ovelha perdida, eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Irei apascentá-las todas com justiça (Ez 34,16).
Qual é o Deus que, como vós, apaga a iniquidade e perdoa o pecado do resto de seu povo, que não se irá para sempre porque prefere a misericórdia? Uma vez mais, tende piedade de nós! Esquecei as nossas faltas e jogai nossos pecados nas profundezas do mar! (Mq 7,18-19).
O amor de Deus Pai a todos, sem distinção (Novo Testamento)
Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem (Lc 1,50).
Assim é a vontade de vosso Pai Celeste, que não se perca um só destes pequeninos (Mt 18,14).
Então, Pedro tomou a palavra e disse: “Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo (At 10,34-35).
Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,3-4).
Jesus acolhe e perdoa os pecadores
Eis que lhe apresentaram um paralítico estendido numa padiola. Jesus, vendo a fé daquela gente, disse ao paralítico: “Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados” (Mt 9,2).
Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. Os fariseus e os escribas murmuravam: “Este homem recebe e come com pessoas de má vida!” (Lc 15,1-2).
Exemplos de expressões de verdadeiro arrependimento
Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: “Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador” (Lc 5,8).
O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! (Lc 18,13).
O que o Magistério da Igreja nos ensina sobre o Pai das misericórdias.
Jesus manisfesta a misericórdia do Pai:
CIC 589: Jesus escandalizou, sobretudo, por ter identificado a sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus a respeito dos mesmos (Mt 9,13;Os 6,6). Chegou, até, a dar a entender que, sentando-Se à mesa dos pecadores (Lc 15,1-2), os admitia no banquete messiânico (Lc 15,23-32). Mas foi muito particularmente ao perdoar os pecados que Jesus colocou as autoridades religiosas de Israel perante um dilema. É que, como essas autoridades justamente dizem, apavoradas, «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7). Jesus ao perdoar os pecados, ou blasfema por ser um homem que se faz igual a Deus (Jo 5,18;10,33), ou diz a verdade e a Sua pessoa torna então presente e revela o nome de Deus (Jo 17,6.26).
CIC 1439: O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do filho pródigo, cujo centro é o pai misericordioso (Lc 15,11-24): o deslumbramento duma liberdade ilusória e o abandono da casa paterna: a miséria extrema em que o filho se encontra depois de delapidada a fortuna: a humilhação profunda de se ver obrigado a guardar porcos e, pior ainda, de desejar alimentar-se das bolotas que os porcos comiam: a reflexão sobre os bens perdidos: o arrependimento e a decisão de se declarar culpado diante do pai: o caminho do regresso: o acolhimento generoso por parte do pai: a alegria do pai: eis alguns dos aspectos próprios do processo de conversão. O fato novo, o anel e o banquete festivo são símbolos desta vida nova, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta para Deus e para o seio da família que é a Igreja. Só o coração de Cristo, que conhece a profundidade do amor do seu Pai, pôde revelar-nos o abismo da sua misericórdia, de um modo tão cheio de simplicidade e beleza.
Deus de ternura e de compaixão:
CIC 210: Depois do pecado de Israel, que se afastou de Deus para adorar o bezerro de ouro (Ex 32), Deus atende a intercessão de Moisés e aceita caminhar no meio dum povo infiel, manifestando deste modo o seu amor (Ex 33,12-17). A Moisés, que Lhe pede a graça de ver a sua glória. Deus responde: «Farei passar diante de ti toda a minha bondade (beleza) e proclamarei diante de ti o nome de YAHWEH (Ex 33, 18-19). E o Senhor passa diante de Moisés e proclama: O Senhor, o Senhor [YAHWEH] é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade (Ex 34, 6). Moisés confessa, então, que o Senhor é um Deus de perdão (Ex 34,9).
CIC 211: O nome divino "Eu sou ou Ele é" exprime a fidelidade de Deus, que, apesar da infidelidade do pecado dos homens e do castigo que merece, conserva a sua benevolência em favor de milhares de pessoas (Ex 34, 7). Deus revela que é rico de misericórdia (Ef 2, 4), ao ponto de entregar o seu próprio Filho. Dando a vida para nos libertar do pecado, Jesus revelará que Ele mesmo é portador do nome divino: Quando elevardes o Filho do Homem, então sabereis que Eu sou (Jo 8, 28).
Tu te compadeces de todos, porque tudo podes (Sb 11,23).
CIC 270: Deus é o Pai todo-poderoso. A sua paternidade e o seu poder esclarecem-se mutuamente. Com efeito, Ele mostra a sua omnipotência paterna pelo modo como cuida das nossas necessidades (Mt 6,32) pela adoção filial que nos concede, serei para vós um Pai e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo poderoso (2 Cor 6, 18); enfim, pela sua infinita misericórdia, pois mostra o seu poder no mais alto grau, perdoando livremente os pecados.
Significação e gênero das obras de misericórdias:
CIC 2447: As obras de misericórdia são as acções caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais (Is 58,6-7;Hb 13,3). Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem nomeadamente em dar de comer a quem tem fome, albergar quem não tem tecto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos (Mt 25,31-46). Entre estes gestos, a esmola dada aos pobres (Tb 4,5-11;Eclo 17,18) é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática de justiça que agrada a Deus (Mt 6,2-4).
Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos, faça o mesmo (Lc 3, 11). Dai antes de esmola do que possuis, e tudo para vós ficará limpo (Lc 11, 41). Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem do alimento quotidiano, e um de vós lhe disser: "Ide em paz; tratai de vos aquecer e de matar a fome", mas não lhes der o que é necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? (Tg 2, 15-16;1Jo 3,17).
O que os Doutores e santos da Igreja nos ensinam sobre a misericórdia:
CIC 1994: A justificação é a obra mais excelente do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus e concedido pelo Espírito Santo. Santo Agostinho pensa que a justificação do ímpio é obra maior que a criação do céu e da terra; porque o céu e a terra passarão, ao passo que a justificação e a salvação dos eleitos permanecerão. Pensa mesmo que a justificação dos pecadores é mais importante que a criação dos anjos em justiça, pelo tacto de testemunhar uma maior misericórdia (Santo Agostinho, In Ev. Jo., 72,3).
Santo Agostinho, doutor da Igreja, proclamou a misericórdia como um atributo divino insondável, capaz de abraçar a humanidade em sua fragilidade e pecado. Em suas palavras, “a misericórdia de Deus é eterna, e seu amor por nós é infinito.”
São Tomás de Aquino, o grande doutor da escolástica, abordou a misericórdia como uma virtude que emana da caridade divina. Ele definiu a misericórdia como “a compaixão do coração em relação à miséria alheia, agindo para socorrer os necessitados.”
Santa Teresa de Calcutá, conhecida como a santa da caridade, personificou a misericórdia em sua vida dedicada aos pobres e marginalizados. Em suas palavras, ela disse: “A misericórdia é a linguagem que Deus fala, uma linguagem acessível a todos, uma chave para a compreensão do coração de Deus.”
Quanto mais nos sentimos miseráveis, tanto mais devemos confiar na misericórdia de Deus. Porque, entre a misericórdia e a miséria, há uma ligação tão grande que uma não pode se exercer sem a outra. (São Francisco de Sales).
Agrada sumamente a Deus a nossa confiança em Sua misericórdia, porque assim honramos e exaltamos aquela Sua infinita bondade que Ele quis manifestar ao mundo nos criando. (Santo Afonso de Ligório).
Minha misericórdia é infinitamente maior do que todos os pecados que o homem possa cometer. Entristece-Me o fato de que alguém considere suas faltas maior que o Meu perdão. Esse é o pecado que não será perdoado. nem neste século, nem no outro (Mt 12, 32) - (Santa Catarina, Diálogos).
O sacramento do perdão dos pecados
Jesus confia aos Apóstolos o ministério do perdão dos pecados.
Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16,19).
Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20,22-23).
Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo, por Cristo, e nos confiou o ministério dessa reconciliação (2Cor 5,18).






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