Os Anjos
- michelfiorio
- 26 de mar. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 20 de jan. de 2024

Quem são os Anjos?
Os anjos são servidores e mensageiros de Deus, como diz o salmista: "poderosos executores da sua palavra, obedientes ao som da sua palavra" (Sl 103,20). Jesus disse que os anjos dos pequeninos contemplam constantemente a face de meu Pai que está nos céus (Mt 18,10), e a Igreja viu aí uma alusão ao Anjo da Guarda, guardião do corpo e da alma dos homens. Os anjos são criaturas puramente espirituais, dotados de inteligência e vontade; são criaturas pessoais e imortais (cf. Lc 20,36), os anjos são criaturas de Deus e inferiores a ele, membros de sua corte celeste (chamados "filhos de Deus": Jó 1,6;cf. Sl 129,1+; "santos": Jó 5,1; "o exército do céu": 1Rs 22,19;Ne 9,6;Sl 103,21; 148,2). Eles superam em perfeição todas as criaturas visíveis, como dá testemunho o fulgor de sua glória (cf. Dn 10,9-12).
É preciso saber que a palavra anjo indica o ofício, não a natureza. Pois esses santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados de anjos quando por eles é feito algum anúncio. Aqueles que anunciam fatos menores são ditos anjos; os que levam as maiores notícias, arcanjos. Quando vêm até nós para cumprir uma missão, trazem também entre nós um nome derivado dessa missão. Assim, Miguel significa "Quem como Deus"; Gabriel, "Força de Deus"; e Rafael, "Deus cura".
A missão dos anjos
"Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?" (Hb 1,14).
Os anjos estão presentes na história da humanidade desde a criação do mundo; são eles que fecham o paraíso terrestre (Gn 3,24); protegem Lot (Gn 19); salvam Agar e seu filho (Gn 21,17); seguram a mão de Abraão para não imolar Issac (Gn 22,11); a lei é comunicada a Moisés e ao povo por ministério deles (At 7,53); são eles que conduzem o povo de Deus (Ex 23,20-23); eles anunciam nascimentos célebres (Jz 6,11-24;Is 6,6); são eles que assistem os profetas (1 Rs 19,5); quando Deus introduziu o primogênito no mundo, ordenou: adorem-no todos os anjos de Deus (Hb 1,6); são eles que protegem Jesus na infância (Mt 1,20;2,13.19); são eles que servem Jesus no deserto (Mc 1,12); reconfortam-No na agonia mortal (Lc 22,43); eles O poderiam salvar das mãos dos mal-feitores se assim Jesus quisesse (Mt 26,53).
Da mesma forma que os anjos acompanharam a vida de Jesus, acompanharam também a vida da Igreja, e a beneficiam com a sua ajuda poderosa e misteriosa (At 5,18-20;8,26-29;10,3-8;12,6-11;27,23-25). Eles abrem as portas da prisão (At 5,19), encorajam Paulo (At 27,23s), levam Felipe ao carro do etíope (At 8,26s).
A existência real dos anjos
A existência dos anjos é uma verdade de fé da Igreja católica. O Catecismo da Igreja nos afirma com clareza: "A existência dos seres espirituais não corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição" (Cic 328). O Magistério da Igreja confirmou a realidade dos anjos, sobretudo no Concílio de Latrão IV (1215), ao declarar contra o dualismo dos hereges cártaros: "Deus é criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, espirituais e corporais; por sua onipotência no início do tempo, criou igualmente do nada as criaturas corporais e espirituais, isto é, o mundo dos anjos e o mundo terrestre; em seguida criou o homem, que de certo modo compreende umas e outras, pois consta de espírito e corpo".
O diabo e os outros demônios foram por Deus criados bons, mas por livre iniciativa tornaram-se maus. O homem pecou por sugestão do diabo (DS 800). Diante de uma certa tendência de negar que os anjos são seres pessoais, mas apenas "instintos" ou "forças neutras", como se fosse apenas uma tendência para o bem ou para o mal, o Papa Pio XII na sua Encíclica Humani Generis (1959), reafirmou que os anjos são criaturas pessoais, dotadas de inteligência sagaz e vontade livre (DS 3891). São Gregório Magno dizia que cada página da Revelação escrita atesta a existência dos anjos. A presença e a ação dos anjos bons e maus estão a tal ponto inseridas na história da salvação, na Sagrada Escritura e na Tradição da Igreja, que não podemos negar a sua existência e ação, sem destruir a Revelação de Deus. O fato de muitas vezes os anjos terem sido apresentados de maneira fantasiosa e infantil, não nos autoriza a negar a sua existência. Por serem seres espirituais, os anjos bons e maus não podem ter a sua existência provada experimental e racionalmente; no entanto, a Revelação atesta a sua realidade.
Eles (os anjos) são mencionados mais de 300 vezes na Bíblia. O nosso Catecismo lembra que "Cristo é o centro do mundo angélico" (CIC 331). Eles pertencem a Cristo, porque são criados por Ele e para Ele, como disse São Paulo: "Pois foi Nele que foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis: Tronos, Dominações, Principados, Potestades, tudo foi criado por Ele e para Ele" (Cl 1,16). Os anjos também são de Cristo, porque Ele os fez mensageiros do seu projeto de salvação da humanidade. Além de diretamente adorar e bendizer a Deus, são Seus ministros, sempre dispostos a obedecê-Lo. Por isso, Deus Se serve deles para executar as Suas ordens em relação às criaturas, principalmente no que diz respeito aos homens (cf. Salmo 102,20-21; Hebreus 1,14).
Quais obras os anjos realizam junto aos homens?
1. Apresentam nossas orações a Deus (cf. Tobias 12,12; Apocalipse 8,3-4).
2. Favorecem-nos em momentos extraordinários, conforme a vontade de Deus (cf. Gênesis 16,7-9; 19,21; 21,17; 24,7; 31,2; Êxodo 12,23; 14,19; Números 22,23; Josué 5,13; Juízes 2,1; 6,11; 13,3; Tobias 3,25-27; Daniel 3,49; 6,22; 7,16; 9,22; 14,35; 2Macabeus 3,2; 10,29; Mateus 1,20; 2,13; 24,31; 26,53; 28,2; Lucas 1,11.26; 2,9; João 5,4; Atos 1,10; 5,19; 10,3; 12,7.23;27,23).
3. Atuam como protetores da Igreja e guardas dos seres humanos, de cada um dos fieis em particular (cf. Salmo 33,8; 90,11-12; Daniel 12,1; Mateus 18,10; Atos 12,19).
4. Intercessão dos anjos (Jó 33,23-24;Zc 1,12;Tb 12,12).

"Deus na primeira luta venceu servindo-se de São Miguel.
Devemos, portanto, acreditar firmemente que a luta atual terminará triunfante e também como outrora, com o socorro e a ajuda deste Arcanjo bendito."
São Pio X






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