O Sacramento da Crisma
- michelfiorio
- 26 de mai. de 2024
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Este é o Sacramento que confere ao cristão a efusão do Espírito Santo àquele que já é batizado. Desde os primórdios a Igreja, os apóstolos já ministravam este sacramento.
O Sacramento da Crisma dá força espiritual para vencer os males deste mundo, ser testemunhas de Cristo, difundir e defender por palavras e obras a fé católica.
Somente pela ação do Espírito Santo em nós é que podemos conquistar a santidade.
“O Espírito de Jesus habita em nós para fazer-nos imagens de Jesus” (Rm 8,29). “Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?… Porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1Cor 3,16). “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual vos foi dado por Deus?” (1Cor 6,19).
Juntamente com o Batismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos "sacramentos da iniciação crista cuja unidade deve ser salvaguardada". Por isso, é preciso explicar aos fiéis que a recepção deste sacramento é necessária à consumação da graça batismal. Com efeito, "pelo sacramento da Confirmação [os fiéis] são vinculados mais perfeitamente à Igreja, enriquecidos de força especial do Espírito Santo, e assim mais estritamente obrigados à fé que, como verdadeiras testemunhas de Cristo, devem difundir e defender tanto por palavras como por obras" (CIC 1285).
Desde o Batismo, o Espírito habita e gera em nós os dons de santificação. São eles: Sabedoria, Ciência, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus.

Sabedoria – O Espírito nos capacita a conhecer a Deus na intimidade e também nos leva a conhecer e querer viver conforme a Sua vontade.
Entendimento, ou Inteligência – Este dom nos leva a ver as pessoas e o mundo com os olhos de Deus. Somos “levados” a penetrar os mistérios de Deus e o seu conhecimento. Ainda menino no Mosteiro de Monte Cassino, Santo Tomás de Aquino já surpreendia os monges com essa pergunta: “Quem é Deus?”
Ciência – O dom da ciência nos leva a compreender e aceitar os planos de Deus revelados na Sagrada Escritura. Por esse dom muitos santos, embora quase analfabetos, tinham a ciência infusa a respeito das coisas de Deus.
Conselho – Nos faz sábios diante da vida e nos impulsiona a procurar a Deus e a levar os outros a Deus, conhecendo e seguindo a Sua santa vontade.
Fortaleza – Através dele somos preparados para lutar contra as tentações e o pecado. Nos faz corajosos na defesa da fé, da “sã doutrina” (1 Tm 1,10) da Igreja, e nos ajuda a vencer as zombarias e o respeito humano. Nos dá força e paciência para carregar a cruz de cada dia.
Piedade – produz em nós o amor a Deus, afastando-nos de toda forma de idolatria (prazeres, amor ao dinheiro, status, fama, vanglória, poder, superstições, ocultismo, etc.). Nos faz viver como verdadeiros filhos de Deus, que ama o Pai com toda a sua vida. Nos leva e capacita à oração permanente e humilde que tudo alcança. Faz-nos curvar a cabeça e o coração diante das coisas sagradas. Move-nos a adorar a Deus e venerar os seus santos e anjos, e de modo especial Nossa Senhora, Mãe de Deus.
Temor de Deus – É o receio de ofender a Deus por ser Ele tão bom e Santo. Não é medo de ofendê-lo e ser castigado, e sim receio de decepcioná-lo com o nosso pecado.
Nada podemos sem o Espírito Santo: “Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai, entretanto, permanecei na cidade [Jerusalém] até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,29).
Deus anseia dar a cada um de nós o Seu Espírito, “sem medidas” (Jo 3,34): “Se vós que sois maus sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celeste dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem” (Lc 11,13).
Pedir a Deus Pai, por Jesus, pela intercessão poderosa de Maria, que nos mande o Espírito Santo: “Vinde Espírito Santo, vinde pela intercessão poderosa do Imaculado Coração de Maria, Vossa amadíssima esposa”.
“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai Senhor o Vosso Santo Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra…”
É pela força do Espírito Santo que se vence as paixões: “Se viverdes segundo a carne morrereis; mas se pelo Espírito, mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são movidos pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus” (Rm 8,13).
“Andai segundo o Espírito e não satisfareis aos apetites da carne” (Gl 5,17).
Eis as obras da carne: “adultério, impureza, desonestidade, idolatria, magia, inimizades, contendas, ciúmes, iras, rixas, discórdias, partidos, invejas, embriaguez, orgias, e outras coisas” (Gl 5,20-21), só podem ser vencidas se nos deixarmos conduzir pelo Espírito, o qual produzirá, então, em nós os seus frutos: “caridade, alegria, paz, bondade, paciência, benignidade, fidelidade, mansidão, temperança” (Gl 5,22).
“A Promessa é, de fato, para nós, assim como para os vossos filhos e para todos os que estão longe, todos quantos foram chamados por Deus, nosso Senhor” (At 2,38-39). Somos testemunhas das grandes maravilhas que o Espírito Santo tem realizado hoje, como no tempo dos Apóstolos. É incrível notar a mudança que houve na vida dos Apóstolos após o Pentecostes.
“Sereis batizados no Espírito Santo” (At 1,4-5), disse Jesus; e isto acontece hoje em toda a face da terra. Não se trata de um novo Sacramento, mas da “renovação” do mesmo Espírito que já recebemos no batismo e nos demais sacramentos.
“Quem crer em mim, como diz a Escritura: do seu interior manarão rios de água viva (Zac 14,8; Is 58,11). Dizia ele isto, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele” (Jo 7,37-39).
Como os primeiros cristãos eram crismados?
A palavra Crisma vem do grego “chrisma”, que significa óleo. Em português, o Crisma significa o óleo sagrado, ao passo que a Crisma significa o sacramento da Confirmação.
No início a Igreja ministrava a Crisma logo em seguida do Batismo. Temos o testemunho de Tertuliano (†202), que diz que após o batismo: “as mãos são impostas sobre nós, pedindo e convidando o Espírito Santo para uma bênção” (Sobre o Batismo c.8).
Mais claro ainda é Hipólito de Roma (†235), que descreve minuciosamente o rito que se seguia ao Batismo:
“O Bispo, impondo sobre eles (os neófitos) a mão, faça a invocação dizendo: Senhor Deus, que os tornaste dignos de merecer a remissão dos pecados pelo banho da regeneração, torna-os dignos de ser cumulados pelo Espírito Santo; lança sobre eles a tua graça para que te sirvam com a tua vontade, pois a Ti a glória – ao Pai, ao Filho com o Espírito Santo na Santa Igreja, pelos séculos dos séculos. Amém! Depois, derramando óleo santificado na mão e pondo-a sobre a sua cabeça, diga: Eu te unjo com o óleo santo no Senhor Pai Onipotente e em Jesus Cristo e no Espírito Santo! Marcando-o na fronte com o sinal da Cruz, ofereça-lhe o ósculo e diga: O Senhor esteja contigo! Responda o que foi marcado: E com o teu espírito! Assim proceda com cada um. A seguir rezem com todo o povo… Após a oração ofereçam o ósculo da paz” (Tradição Apostólica, n. 52-54).
A Confirmação no Plano da Salvação
No Antigo Testamento, os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias esperado para realizar a sua missão salvífica. A descida do Espírito Santo sobre Jesus no seu Batismo por João Batista foi o sinal de que era Ele quem devia vir, que Ele era o Messias, o Filho de Deus. Concebido do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam em uma comunhão total com o mesmo Espírito, que o Pai lhe dá “sem medida” (Jo 3,34).
E essa plenitude do Espírito não era apenas para o Messias; mas também para todo o povo de Deus. Várias vezes Cristo prometeu esta efusão do Espírito, promessa que realizou primeiramente no dia da Páscoa (Jo 20,22) e, depois, no dia de Pentecostes. Repletos do Espírito Santo, os Apóstolos começam então a proclamar “as maravilhas de Deus” (At 2,11), e Pedro começa a declarar que esta efusão do Espírito Santo é o “sinal dos tempos messiânicos”. Os que então creram na pregação apostólica e que se fizeram batizar também receberam o dom do Espírito Santo.
O sacramento da Crisma quer reavivar em cada fiel, agora jovem, esta plenitude do Espírito Santo para que ele seja testemunha de Cristo no mundo.
Desde o dia de Pentecostes os Apóstolos, para cumprir a vontade de Cristo, comunicaram aos batizados, pela imposição das mãos, o dom do Espírito que leva a graça do Batismo à sua consumação.
Para melhor significar o dom do Espírito Santo, A Igreja acrescentou à imposição das mãos uma unção com óleo perfumado (crisma). O “cristão é aquele que é ”ungido” e que deriva a sua origem do próprio nome de Cristo, ele que “Deus ungiu com o Espírito Santo” (At 10,38). Este rito de unção existe até os nossos dias, tanto no Oriente como no Ocidente.
Nos primeiros séculos, a Confirmação era em geral uma só celebração com o Batismo, formando com este, segundo a expressão de S. Cipriano, um “sacramento duplo”. Com o aumento dos batizados de crianças ao longo do ano todo, e a multiplicação das paróquias (rurais), e dioceses, não é possível mais a presença do Bispo em todas as celebrações batismais. No ocidente, como se reserva ao Bispo a complementação do Batismo, houve a separação dos dois sacramentos em dois momentos distintos. O Oriente manteve juntos os dois sacramentos, tanto que a Confirmação é ministrada pelo presbítero que batiza. Mas o presbítero só pode ministrar a Crisma com o óleo (“mýron”) consagrado por um Bispo.
A Confirmação aperfeiçoa a graça batismal; é o sacramento que dá o Espírito Santo para enraizar-nos mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais firmemente a Cristo, tornar mais sólida a nossa vinculação com a Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra, acompanhada das obras. Pela Crisma o Espírito Santo dá coragem e sabedoria ao cristão para viver esta missão.
Um candidato à Confirmação que tiver atingido a idade da razão deve professar a fé, e para receber a Confirmação é preciso estar em estado de graça. Convém recorrer ao sacramento da Penitência para ser purificado em vista do dom do Espírito Santo. (CIC 1310). Uma oração mais intensa deve preparar para receber com docilidade e disponibilidade a força e as graças do Espírito Santo (At 1,14), ter a intenção de receber o Sacramento e estar preparado para assumir sua função de discípulo e de testemunha de Cristo, na comunidade eclesial e nas ocupações temporais. Essas são as exigências da Igreja para que um jovem seja crismado com o devido preparo, para poder receber os frutos e os efeitos desse Sacramento.






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