Moisés, o Libertador.
- michelfiorio
- 10 de jun. de 2023
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- Os Israelitas se estabelecem no Egito e vão se tornando um povo cada vez mais numeroso e poderoso, até o ponto que o rei do Egito, com medo de ser expulso de sua terra, começa a escravizar o povo judeu, e a faze-los com trabalhos forçados e pesados (Ex 1,7-14).
- A ideia de o Faraó matar todos os recém nascidos, com medo de que quando eles crescerem, se juntarem com todos os homens contra o Egito (Ex 1,15-22). Nós vamos ver que o que vai acontecer com Moisés, o grande libertador, é que Faraó está prefigurando Herodes - o rei que quer matar todas as crianças abaixo de 2 anos de idade, porque quer matar Jesus Cristo, que será o libertador da humanidade. Por isso, já vamos ver Moisés uma prefiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo.
- Moisés é da descendência de Levi - as doze tribos de Israel (Ex 2,1-2).
- Aquele que será o grande libertador, aquele que vai lutar contra o Faraó, vai morar na casa do Faraó, porém, o mais importante de tudo é que Moisés, prefigurando Jesus, será uma criança salva de um rei iniquo que mata crianças (Ex 2,5-10).
- A primeira tentativa de Moisés se tornar um libertador do seu povo (Ex 2,11-12).
- O ser humano que você ajuda será aquele que vai te prejudicar (Ex 2, 13-14). Moisés vai sentir na pele que “não basta combater o mal e a injustiça, é preciso vencer o mal e a injustiça que está dentro de mim”.
- Moisés vai ser exilado (Ex 2, 15b). Nem ele vai ser próximo dos Egípcios, nem dos judeus, agora ele é um sem pátria.
- Toda vez que aparece um poço, vai ter casamento; um encontro do homem com uma mulher à beira de um poço no Antigo Testamento, já vimos o que vai acontecer (casamento de Isaac), e agora mais um casamento que vai existir - Moisés com Séfora (Ex 2,15b-22).
- Deus ouviu o clamor do povo Hebreu e se lembrou da sua Aliança com Abraão, Isaac e Jacó (Ex 2,23-25). E o que é a oração a não ser um grito, um clamor do coração humano perante a bondade infinita de Deus.
- A sarça ardente (Ex 3,1-3). Moisés vai passar 40 anos no deserto apascentando ovelhas, e vai chegar ao Horeb (que é onde mais tarde Elias vai ter seu encontro com Deus, que é uma das diversas montanhas que formam a península do Sinai). Deus apareceu a Moisés por meio de uma sarça de fogo que não se consome (Os Padres da Igreja vão ver nessa sarça ardente que não se consome a figura tipológica da Virgindade Perpetua de Nossa Senhora, que também é um milagre misterioso - porque quebra as leis da natureza, aquela que ia gerar sem perder a virgindade, por isso que é uma prefiguração, um dogma da Virgindade Perpetua de Nossa Senhora, e a sarça ardente vai revelar Deus, assim como a Virgem Maria vai trazer Deus ao mundo).
- Para se ter um encontro com Deus é preciso descalçar os pés (Ex 3, 4-5), é um ato de humildade. E o que é que Deus disse para Moisés: tire as sandálias, para falar comigo você precisa ter os pés no chão, você precisa saber quem Eu Sou, quem tu és, e a realidade que te cerca. O humilde entra em contato com a realidade.
- Deus pode pedir humildade a alguém, porque Ele é humilde. “Eu sou o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, de Isaac, e de Jacó” (Ex 3,6). Como Deus dissesse assim: quem não conhece Abraão, não vai saber quem sou Eu, quem não souber quem é Isaac, não vai saber quem sou Eu, quem não souber quem é Jacó, não sabe quem sou Eu. É esse o Deus que está se revelando - o Deus que se manifesta na história. Você quer conhecer a Deus, faça esse caminho: Estevão, primeiro mártir da Igreja - protomártir, em (At 7) fez esse caminho, contou a história de Abraão, Isaac, Jacó, José, e de Moisés. Se conhece a Deus pelo relato da história e não pelas definições. Quando Jesus morreu, o que é que os discípulos fizeram para mostrar que Jesus é Deus? Contaram a história de Nosso Senhor Jesus Cristo.
- Deus escutou o grito, o clamor dos israelitas (Ex 3,9). Precisamos clamar para nos libertar da escravidão, mas nós vamos ver que quando o povo judeu começa a fazer o caminho da liberdade, eles querem voltar atrás, porque a escravidão é mais cômoda, e a liberdade paga um preço.
- A revelação do nome divino: Deus vai dizer para Moisés “EU SOU” (Ex 3,14). Jesus sempre no Evangelho de João se defino como; Eu Sou o bom pastor, Eu Sou a videira e vós sois os ramos, Eu Sou o pão vivo descido do céu, Eu Sou a Ressurreição e a vida. Por isso, quando Jesus vai dizer no Evangelho de São João “Eu Sou”, os judeus pegam as pedras para apedreja-lo, porque Ele tinha se assumido como Deus. EU SOU significa a identidade divina, e essa definição vai chegar à plenitude no livro do Apocalipse, quando Deus vai dizer: Eu Sou aquele que era, que é, e que virá (Ap 1,8).
- Para que Deus libertou o povo do Egito? Para oferecer um sacrifício (Ex 3, 18), e o que é o sacrifício? Uma adoração a Deus. Para que nós somos livres? Para adorar a Deus.
- Deus vai começar a mostrar a Moisés todos os instrumentos, meios para que o poder de Deus se manifeste (Ex 4,1-3).
- Moisés tinha um discurso, eu sou gago, não sei falar (Ex 4,10). Todos nós, na hora que Deus nos chama para dizer Eu quero te libertar, eu quero fazer você um homem novo, nesta hora cada um tem um discurso, uma desculpa, porque é preciso mudar de vida.
- Deus vai conceder a Moisés que Aarão, seu irmão, seja a voz dele no caminho (Ex 4,13-17). Deus na sua imensa bondade, sabendo das nossas fraquezas, muitas vezes teremos sempre um Aarão nas nossas vidas, pessoas que ajudam nas nossas fraquezas, que nos complementam, porque ninguém de nós é dotado de todos os dons.
- Quando você quer se libertar de algo que lhe aprisiona, esse processo será sempre doloroso, ninguém consegue ficar livre fácil, e o povo Hebreu sente todo esse sofrimento (Ex 5,6-18).
- Moisés vai descobrir que com o tempo, e nós vamos ver na história, que ele pensava que a maior luta da sua vida era vencer o Faraó. Com o tempo Moisés vai descobrir que duro não é o Faraó, duro é o povo. Vai ser mais fácil vencer o Faraó do que tirar a mentalidade escrava do coração do povo (Ex 5,19-21). Vai ser por isso que o povo vai passar 40 anos no deserto, vai ser por isso que esse povo, com seus descendentes não vão poder entrar na terra prometida. Daqueles que estavam na escravidão, vai ser somente Josué que saiu do Egito muito novo, ainda não tinha assimilado a mentalidade de escravidão, e depois vai conviver 40 anos ao lado de Moisés. Josué vai ser um homem livre, que vai poder entrar na terra prometida, porque ele não tem um coração de escravo. São Paulo já dizia: “Porque Deus não nos deu um espirito de timidez, um espirito de escravidão, mas um espirito de coragem, de filhos”.
- As pragas do Egito (Ex 7). Toda aquela descrição do Livro do Apocalipse (três ciclos de sete; sete selos, sete taças, e as sete trombetas) é baseado nas pragas do Egito, para justamente fazer a ligação do que tudo que é narrado no Apocalipse é uma Páscoa, só que muito maior do que no Egito, porque no Apocalipse, onde culmina com a segunda vinda de Jesus, Ele vai dizer: como um dia Eu tirei vocês do Egito com a mão forte, com mão muito mais forte, Eu libertarei vocês das prisões deste mundo. É está a plenitude da Páscoa - a segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, como vemos no Livro do Apocalipse.
- A vara dos magos do Faraó também tornou-se serpente (Ex 7,11). A besta, o anticristo, todos fazem milagres, prodígios, que encantam os olhos do povo, mas num dado momento, os prodígios divinos do Cordeiro vão superar os prodígios da besta. Nós vamos ver nas pragas do Egito a mesma batalha que nós vemos no Livro do Apocalipse (a batalha entre Deus e o demônio, entre o bem e o mal, entre as forças divinas e as forças malignas), é uma disputa sobre o coração do homem. Moisés prefigura Nosso Senhor Jesus Cristo, e o Faraó prefigura o demônio.
- Mas a vara de Aarão devorou a vara deles (Ex 7,12). Para demonstrar que o poder de Deus é superior. O que é que a vara de Moisés representa? Um símbolo maior da nossa libertação - a Cruz. Vai ser esse madeiro que vai ser levantado e o mar se abre.
- Todas as 10 pragas estão ligadas aos deuses Egípcios (Ex 7,14-29.8,1-28.9,1-35.10,1-29). Então, o que as 10 pragas estão nos mostrando? Que Deus, através de Moisés, por meio de sua vara, que prefigura a cruz de Cristo, é mais forte do que os deuses Egípcios. O que é que são as pragas do Egito? São sinais para que o povo compreendesse quem é Deus. No Evangelho de Marcos, Jesus expulsa um demônio - Ele é superior as forças do mal, depois Jesus caminha sobre as águas - Ele é superior as forças da natureza, depois Jesus ressuscita um morto - Ele é mais forte do que a morte. O que são os milagres que Jesus fez? São sinais para que agente compreenda quem Ele é.
- Quando o demônio vê que está perdendo, começa a negociar (Ex 10,24). Moisés disse: eu preciso levar o povo, todo o gado, eu não posso deixar uma unha, eu levo tudo para o deserto, e Deus vai me dizer o que eu devo sacrificar (Ex 10,25-26). Adorar é sacrificar, nós só adoramos a Deus quando sacrificamos. A nossa maior tentação é criar um culto para Deus a partir das nossas próprias decisões. Tudo o que ocupa o primeiro lugar em nossas vidas, não importa o que for, aquilo se torna um deus, e acaba tornando-se uma idolatria, e toda idolatria vira uma praga, e é isso que nos vemos no Egito, tudo vai dar um profundo desgosto. O único ser que pode ser o centro das nossas vidas é Deus!
- Discurso que Moisés faz pela última vez para sair do Egito, e Faraó disse não (Ex 11,4-10). É o mesmo que vamos ver no Livro do Apocalipse - sete selos, sete taças, e as sete trombetas; todas essas “pragas” é uma distinção bem clara: é para atingir aqueles que adoram a besta, aqueles que adoram o Cordeiro não são atingidos. No Egito demonstra que a morte dos primogênitos só vai alcançar aqueles que não adoram ao Deus verdadeiro. Todo o caminho do Livro do Êxodo é um caminho de liberdade para entrar na terra prometida, onde eles possam adorar a Deus.
- A ceia do Cordeiro (Ex 12,1-6). Quando vai narrar a libertação do povo do Egito - a Páscoa, é narrada de duas formas: a primeira forma; o rito - como é o ritual da Páscoa que é uma ceia judaica. A Páscoa já era uma festa existente de pastores, porque eles sacrificavam os cordeiros, e que o povo eleito vai acolher, e purificar na fé no Deus único, no Deus de Abraão, de Isaac, e de Jacó. A segunda forma; que depois vamos ver, é que essa Páscoa será um acontecimento, um fato, que será a travessia do mar vermelho. Podemos ver essa prefiguração quando Jesus foi celebrar a sua Páscoa, Ele fez do mesmo jeito. Primeiro na quinta-feira a noite, Ele sentou-se a mesa, e celebrou uma ceia Pascal, um rito (essa ceia que Moisés descreveu) foi o que Jesus celebrou na quinta-feira Santa, e nessa instituição da ceia judaica, Ele institui a Eucaristia (Mt 26,26-28;Lc 22,19-20; 1Cor 11,23-25), e depois na Sexta, no Sábado, e no Domingo, Ele vai celebra a Sua Páscoa - a Sua vitória pela Paixão, Morte e Ressurreição, Ele vence o pecado, o demônio e a morte. Na Páscoa cristã, temos também um rito, que é o rito da última ceia, e um fato, que é a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
- Deus fará justiça sobre todos os deuses do Egito, vai destruir, aniquilar tudo aquilo que ocupa o lugar Dele (Ex 12,12). De uma forma ou de outra, Deus aniquila, afasta, ou faz aquilo se tornar a coisa mais amarga da nossa vida, pois, tudo aquilo que se torna o centro da nossa vida que escolhemos, se não for Deus, um dia, ou será tirado ou será a fonte de maior amargura, porque nada pode ocupar o lugar de Deus. Adorar a Deus, é colocar Deus em primeiro lugar nas decisões em nossas vidas! A boca fala aquilo de que o coração está cheio (Mt 12,34), onde está o seu tesouro, aí está o seu coração (Mt 6,21), buscai a sua justiça, e tudo mais vos será dado por acréscimo (Mt 6,33).
- A festa dos Ázimos, em que as ofertas são as primícias - os primeiros frutos da colheita entregues a Deus como sacrifício (Ex 12,15-20). No tempo de Jesus celebravam a festa dos Ázimos e da Páscoa como se fosse uma única festa, pois, quando se usava o nome de festa dos Ázimos dava-se evidência ao pão, e ao nome Páscoa dava-se evidência ao cordeiro, só que, quando Jesus celebra a Páscoa, só faz referência ao Pão e Vinho, porque o Cordeiro é Ele mesmo. Podemos ver na dimensão da festa dos Ázimos, uma prefiguração da Quaresma eterna que nós temos que ter em nossas vidas. O que é a Quaresma? É um tempo de purificação do fermento que nós temos. No texto fundamental do início da Quaresma, Jesus vai falar da Oração, Jejum e Esmola, mas não basta rezar, não basta fazer penitência, não basta dar esmola, temos que tirar o fermento do nosso coração, da hipocrisia de querer ser visto (Mt 6,1-18).
- Os egípcios perseguem Israel (Ex 14,5-10). A liberdade é algo que custa caro. O escravo é aquele que quer a vida mais fácil, e ele não quer correr o risco de ser livre (Ex 14,11). Era melhor a segurança da escravidão do que a insegurança da liberdade (Ex 14,12). O medo e a insegurança sempre vão nos fazer realizar os sonhos dos outros, e não os nossos. Deus está nos pedindo pequenas firmezas para nos dar grandes vitorias (Ex 14,13-14).
- Um combate entre Deus e o Faraó que se auto divinizou, e o povo trata o Faraó como sendo deus (Ex 14,16-18). Da mesma forma que isso prefigura a batalha de Jesus na cruz, que é contra o demônio, o príncipe deste mundo, aquele que é prefigurado pelo Faraó, que quer se auto denominar deus, aquele que quer aprisionar os corações humanos por meio do medo.
- A passagem pelo mar a pé enxuto representa a travessia de Cristo pelo mar da morte (Ex 14,19-30). A travessia pelo mar vermelho prefigura os três dias em que o corpo de Jesus esteve no túmulo. A terra prometida de Israel prefigura Jerusalém celeste - a vida eterna, pois, com sua Cruz e Ressurreição, Jesus rompeu as portas da morte. A Páscoa de Cristo é a plenitude daquilo que é prefigurado na travessia do mar vermelho.
- Evidenciaremos a nuvem que se deslocou para ficar entre os egípcios e o povo judeu, tornando uma proteção para o povo escolhido (Ex 14,19-20). Para os judeus era uma nuvem luminosa, para os egípcios era uma nuvem tenebrosa. Será essa nuvem que vai ficar durante todo o período do Êxodo (40 anos) guiando a sua caminhada em direção a terra prometida. Em todas as etapas, quando a nuvem se levanta por cima da habitação, os filhos de Israel punham-se em marcha. Por que eles passaram quarenta anos andando? Porque Moisés aprendeu um sinal; enquanto a nuvem estava em cima da tenda da reunião, ele não saia, podia passar meses. Num determinado dia de manhã, a nuvem se levantava e se punha a caminho, e Moisés via a nuvem e seguia. Foi assim que Moisés passou quarenta anos no deserto, num processo que é obedecer a Deus. Vemos no Novo Testamento que essa nuvem prefigura Jesus Cristo, aquele que na festa das tendas vai fazer uma solene proclamação: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não caminhará nas trevas”(Jo 8,12). A única coisa necessária é obedecer a Deus! A nuvem que guiava o povo no deserto, prefiguração de Jesus Cristo - a luz do mundo na solene Vigília Pascal é simbolizada pelo Círio Pascal (O que é o Círio Pascal a não ser a nuvem que conduzia o povo depois da Páscoa). Por isso que o Círio Pascal passa o Tempo da Páscoa no Presbitério. Ele (o Círio Pascal) é a coluna de fogo (Ex 14,24), é aquela nuvem que guiou o povo depois da Páscoa. O Círio Pascal é o símbolo da nuvem luminosa, é o símbolo que Cristo é a luz do mundo. Deus é a nuvem, a coluna de fogo que paulatinamente está nos conduzindo a Jerusalém Celeste.
- A vitória de Deus (Ex 14,31). É Deus quem liberta o povo do Egito, como vai ser Deus por meio de Jesus Cristo que vai nos libertar de todos os males do pecado, da morte e do demônio.
Que por meio da Páscoa de Moisés possamos conhecer a Páscoa de Cristo, e por meio da Páscoa de Cristo, tornarmos homens e mulheres livres, que dão a Deus a perfeita adoração.






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