Livro do profeta Daniel
- michelfiorio
- 14 de abr. de 2025
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O profeta Daniel (=Deus é meu juiz), é o principal personagem do Livro. Os capítulos de 1 a 6 formam um núcleo histórico e contam a história do profeta.
Daniel foi um hebreu deportado para a Babilônia em 606 a.C, fiel a lei de Deus e exemplo para nós de santidade (Dn 1,8), de fé ardente e patriotismo forte; Deus o enriqueceu com dons diversos (Dn 1,17), tendo-se tornado importante na corte da Babilônia (Dn 1,18-21).
Temos a intervenção de Daniel interpretando o sonho de Nabucodonosor (Dn 2,12-23), onde ele pede aos seus amigos que intercedam a Deus sobre o mistério do sonho. E Deus deu a conhecer a revelação do sonho a Daniel, o que nos mostra que podemos pedir a intercessão de Maria e dos Santos que estão no céu (1Cor 12,12; Ap 5,8).
Nabucodonosor levanta uma estátua de ouro e ordena para que todos do seu reino venham a prostrar-se e adorar a estátua de ouro (Dn 3), e para compreendermos este capítulo, vamos meditar se “ESTAMOS DISPOSTOS A ARCAR COM AS CONSEGUENCIAS DA NOSSA FÉ”?
Estamos dispostos a pagar o preço por sermos cristãos católicos, ou queremos crer em Deus, dizendo que somos católicos, mas queremos as compensações do mundo, queremos conciliar o inconciliável; unir luz e trevas, queremos nos dizer católicos, mas abraçando tudo aquilo que o mundo apresenta? Qual é a postura e atitude que está em nosso coração?
Bom, devemos lembrar que todo o Antigo Testamento é preparação para o Novo Testamento, e Cristo Jesus é o cumprimento de todas as profecias, então, a Palavra de Deus em (Jo 8,31-42), apresenta a resposta do preço que temos a pagar pela nossa fé.
Jesus começa a falar com aqueles judeus que nele tinham acreditado: “Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos” - Jesus faz essa advertência a eles e a NÓS que dizemos crer na sua Palavra! Nós precisamos permanecer, perseverar em Deus, porque se nós não estivermos constantemente atentos e renovando a nossa adesão a Cristo e a sua Palavra, sem que percebamos, começaremos a abandonar Nosso Senhor (Senhor eu creio em ti, Senhor eu creio em tudo o que dizes e a sua Igreja), porque ou você acolhe Deus e a sua Palavra, ou você perde Deus com tudo aquilo que ele representa.
A partir do momento que você seleciona aquilo que quer, ou diz eu não creio, você está perdendo toda a fé, abandonando a fé católica (o católico crê em Deus e em tudo aquilo que Ele revelou e ensina a sua Igreja - Tradição, Magistério). É isso que aconteceu com aqueles judeus que de início acreditaram em Jesus, mas não permaneceram na Palavra. E como é que permanecemos na Palavra?
Quando estamos unidos a Jesus permanecendo em estado de graça, quando temos uma vida de oração, quando a cada dia renovamos a nossa fé, quando recebemos com piedade os sacramentos, quando vamos cuidando da nossa vida espiritual, mas se a nossa ligação com Jesus é meramente afetiva, podemos ter a ilusão de amar Jesus, quando no profundo do coração existe uma inimizade, existe pecados mortais, porque rompemos com a Palavra de Deus, rompemos com algum artigo da fé quando dizemos; nisso eu creio, nisso eu não creio.
Esses que nele acreditavam (Jo 8,37), porque não permaneceram com Jesus, que não acolheram a sua palavra, eles querem matar Jesus, porque não aceitam tudo aquilo que Ele começa a revelar. Isso é o que pode acontecer conosco, quando nós começamos a compreender no que consiste a Palavra de Deus, as consequências de ser católico. com isto acontecendo, começa um afastamento, você não acolhe, vai abafando a Palavra de Deus na sua vida, você vai matando Deus no seu coração até que haja uma inimizade estabelecida (eu quero Senhor, com a tua graça arcar com as consequências da minha fé, eu quero ser católico por inteiro, eu aceito a toda a sua Palavra, a todos os seus ensinamentos, e aqueles mandamentos nos quais eu tenho mais dificuldade, eu suplico auxilio do Teu Espírito para que eu diga o meu Amém, eu creio Senhor na Tua Palavra!). Eu não sei qual é a sua dificuldade com a Palavra de Deus, com os ensinamentos de Deus e da Sua Igreja, mas é preciso pedir a graça de Nele permanecer - "será salvo quem Nele permanecer até o fim"!
Começar Católico, começar crente - aquele que crê em Deus, é fácil, permanecer Católico, na Palavra de Deus, na amizade com Deus, em todas a manifestações da vontade de Deus em nossas vidas, aí sim este é o nosso desafio, porque tudo isso é muito exigente; exige sacrifícios, exige renuncias, porque é na prova que a nossa fé se manifesta!
Com os judeus, começou a se manifestar essa realidade de ódio a Jesus desejando a sua morte porque eles não estavam dispostos a permanecer com Jesus. E como resposta à pergunta se estamos dispostos a arcar com as consequências da nossa fé, entramos no Livro de Daniel (Dn 3,1-97), que mostra três jovens; Sidrac, Misac e Abdênago, eram judeus, israelitas, só que estavam no exilio servindo ao rei pagão Nabucodonosor. Eles tinham caído na graça do rei e dos servos do rei que olhavam para eles com bons olhos. Eles podiam discretamente praticar a sua religião, não eram obrigados a comer carnes impuras, mas chegou um momento assim como chega na vida de todos nós “que não dá para viver de uma forma light a fé”, mais cedo ou mais tarde na vida de todos nós chega à cruz, mas será que estamos dispostos a viver a fé sem problemas, sem sermos persequidos, mas viver a fé com sacrifício de algo, de perder algo que nos é caro? Você crê que vale a pena perder tudo por causa de Cristo, como diz São Paulo: “Por ele, perdi tudo e tudo tenho como esterco... (Fl 3,8-116)?
Pois bem, esses três jovens, religiosos, estavam ali naquele mundo pagão, preservando, guardando, praticando a sua fé, mas chegou um momento que não deu mais, eles foram entregues, denunciados e o rei os chamou com muita benevolência e lhes pergunta: é verdade Sidrac, Misac e Abdênago que não prestai culto a meus deuses e não adorais a estátua de ouro que mandei erguer..., mas a partir de agora vocês estão dispostos a adorar...? Eles que tinham tudo, iam perder o emprego, iam perder a vida de uma maneira dolorosa, cruel, e o rei continua; mas se não fizerdes adoração no mesmo instante sereis atirado na fornalha de fogo ardente, e qual é o Deus que poderá livrar-vos de minha mão...? Eu sou o rei, para com essa bobagem de religião, viva essa religião no coração, mas na prática obedeça às coisas que vão levar você a ter uma vida tranquila nesse mundo, quem é que vai salvar vocês da minha mão...? Olha a clareza de resposta dos três jovens: e se o nosso Deus a quem rendemos culto pode livrar-nos da fornalha do fogo ardente, ele também poderá libertar-nos de tua mão, ó rei, mas se ele não quiser, tudo bem, morreremos de todo jeito... Eles não tentam Deus, não colocam Deus contra a parede, Deus pode, mas se Ele não quer, nós iremos morrer por Ele (Dn 3, 14-23).
Eles são lançados na fornalha, Deus quis, Deus a quem não poupou o seu próprio Filho, quis poupá-los, e aquele testemunho de fé de Sidrac, Misac e Abdênago foi eficaz para a conversão daquele rei (Dn 3,91-97).
O que isso nos ensina além de pagarmos o preço pela nossa fé, de estarmos dispostos a abraçarmos a vontade de Deus mesmo com o prejuízo de perder a nossa própria vida?
"Que o nosso testemunho pode ser ocasião de conversão de outras pessoas". Se nós formos fiéis a Deus, o nosso testemunho de vida será instrumento para converter outras pessoas, mas é necessário que passemos pelo caminho da cruz, não dá para testemunhar Jesus na sombra e água fresca, agente testemunha Jesus na doença, na dificuldade financeira, na secura e na aridez espiritual sendo fiel as orações, fiel a Deus, não negando nada o que Ele pede, isso é uma graça que Deus pode utilizar para fecundar outros corações.
Peçamos a Deus uma porção do seu Espírito para que Ele fecunde os nossos corações e nos de a coragem, a disposição, a valentia, o amor necessário para que nós arquemos com as consequências de ter fé e está adesão a Ele seja também instrumento de conversão e de graça para tantas pessoas que não creem.
Daniel na cova dos leões (Dn 6), vem nos ensinar três estratégias para vencer o combate espiritual.
1º Tenha raízes e origens cristã, não se contamine com o mundo: “Daniel subiu para sua casa. As janelas fechadas do seu aposento superior estavam orientadas para Jerusalém (o costume de orar na direção de Jerusalém é conhecido ao memos desde o Exílio), e três vezes por dia ele se punha de joelhos, orando e confessando o seu Deus” (Dn 6,11).
2º Não tenha medo das perseguições, seja uma pessoa espiritual: “Daniel, um dos deportados de Judá, não tem consideração por ti, ó rei, nem pelo interdito que promulgaste” (Dn 6, 14b).
3º Seja uma pessoa orante: “Três vezes por dia continua a fazer a sua oração” (Dn 6,14c).
Profecia que anuncia a substituição dos reinos que desaparecem, e dá lugar a uma realeza que não acaba, a um reino eterno (Dn 7,27).
Intercessão do anjo Miguel (Dn 10,12-13.21).
Como o anjo Miguel protege todo o povo se ele não é onisciente e onipresente (Dn 12,1;Ap5,8).
A fé de Israel a respeito da vida eterna, e a resposta ao mistério da morte (Dn 12,2-3).
Susana e o julgamento de Daniel (Dn 13,1-64). Trata-se da recompensa final (Mq 2,5;cf. Sl 1,5). Susana, jovem, bela e temente a Deus, caiu nas mãos de dois juízes iníquos que foram seduzidos pela tentação de deseja a mulher do próximo - Dn 13,8-18, (pecado mortal contra o nono mandamento de Deus), armaram uma armadilha para entregarem Susana a morte caso ela não aceite a proposta de se deitar com os dois juízes.
Susana nos ensina como resistir ao demônio proclamando “Deus o Senhor da minha vida” (Dn 13,22-23) e "colocando toda a sua confiança no Senhor" (Dn 13,35). Deus ouve o clamor do justo (Dn 13,42-45;Hb 4,13;Sl 33,13-15;Pr 15,11). O justo tem graça aos olhos de Deus, e o injusto sofrerá a condenação eterna (Dn 13,60-63).
Daniel e os sacerdotes de Bel (Dn 14,1-42), mostra-nos a quem somente devemos prestar o nosso culto de adoração; “a Deus”, e Deus não abandona aqueles que perseveram, que caminham na Sua Lei, nos Seus Mandamentos, na Sua Palavra, livrando-nos de todos os perigos e males dando-nos a Salvação.






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