Imagem, idolatria, será?
- michelfiorio
- 27 de nov. de 2022
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Atualizado: 8 de out. de 2023

No século l, não existia máquina fotográfica, mas, as pessoas gostavam de se recordar dos entes queridos. Assim, como hoje fotografamos alguém e guardamos aquela foto. Naquela época reproduziam-se imagens, desenhos, estátuas. Era uma pratica comum. Nós, católicos, em particular, fazemos para prestar memória aqueles homens e mulheres que viveram a radicalidade da fé: os santos. Uma fé cheia de virtudes, e, muitas vezes, de martírio. Fé está que gerou neles a “santidade”.
Em Ex 20,2 e Sl 115, onde não pode prostrar diante de outros deuses e nem prestar culto a eles, Deus abomina imagens e esculturas.
Deus, no Êxodo e em muitos lugares proíbe que se faça imagens de ídolos, proíbe a adoração de outros deuses, não terá outro Deus além de mim.
Só existe um Deus, e, é a este que nós adoramos. Católico não adora imagem e nem santo. A imagem para nós é a mesma que a foto do seu pai, mãe para você. A imagem é uma maneira de representar, homenagear aqueles que são amigos de Deus.
Se eu for seguir a Bíblia dessa forma, como é que vou explicar quando Deus mandou Moises colocar dois querubins sobre a arca da aliança?
Como assim, Deus proíbe fazer imagens e depois manda fazer? Como é que vou explicar quando Deus mandou fazer uma serpente de bronze e levanta-la no deserto para curar o povo? Então, que Deus é esse que manda e depois desmanda? Como é que vou explicar se o rei Salomão encheu o templo de imagens de anjos, de frutas, de leões? Então, como é que fica a palavra de Deus que proíbe fazer imagens?
Basta estudarmos com fé para entendermos que Deus não proíbe imagens. A Bíblia é uma imagem escrita da palavra de Deus. Se não pode fazer imagens, não pode ter a Bíblia não pode ter foto, se não pode fazer imagem, você não pode pensar, porque quando você pensa, você faz imagens na sua cabeça. O que Deus proíbe é “adorar outros deuses”! Nós não adoramos nossos santos. Os santos são aqueles mencionados no Apocalipse, que estão na presença do Cordeiro, o incenso significa as orações dos santos. Quem segue a Bíblia, quem ama a Bíblia, ama os santos, porque eles são “amigos de Deus”.
Nós não adoramos imagens, as imagens são representações, são símbolos. Eu sei que só existe um Deus, mas, sei também que esse Deus quis nascer de Maria, e, por isso, ela é especial para nós católicos, porque ela é a “Mãe de Jesus, a Mãe de Deus”.
A nossa fé não está só na Bíblia, vai muito além da Bíblia, porque tem muita coisa que não está na Bíblia, porque para que a própria Bíblia possa ter autoridade, você precisa que alguém te diga esse aqui é um livro inspirado por Deus. Você irmão evangélico, a Bíblia que você tem, foi a Igreja que entregou a você dizendo que esses livros são inspirados por Deus.
A palavra diz que Jesus é a imagem do Deus invisível, então, Deus fez uma imagem Dele que é Jesus, sendo assim, imagem não está contra a Bíblia, ou, então, vou ter que rasgar muitas páginas da Bíblia se eu quiser defender que não se pode fazer imagens.
Vamos estudar mais a palavra de Deus, porque se agente pegar uma frase solta da bíblia, agente prova tudo, até que Deus não existe, porque na Bíblia está escrito assim: ...Deus não existe..., mas, eu tenho que ler o que está escrito antes: ... o ímpio diz no seu coração que Deus não existe... Então eu não posso pegar uma frase solta na Bíblia, pois, quando Deus fala lá das imagens, Ele está falando da idolatria, que é um pecado muito grave, quando o povo fez um bezerro de ouro e começou a adorar dizendo que era um deus, e, Deus mandou punir, mandou destruir o bezerro e punir o povo pela idolatria.
Se você encontrar um católico que diz adorar imagem, ele não é católico de verdade, ele não entendeu a nossa fé, nós veneramos os santos, amamos sim os santos, porque eles são amigos de Deus, eles já estão mais perto de Deus, e, se você pode orar por um irmão, os amigos que estão no céu, também podem orar por nós, rezar, rogar, pedir, interceder, suplicar, todos esses verbos tem o mesmo sentido, você pode dizer ora, eu posso dizer rezo, estamos fazendo a mesma coisa, pedindo a proteção de Deus, e pedir aos santos que intercedam por nós.
- Imagens (Rm 8,29;1Jo 3,2).
- Idolatria: (Is 44,9-20;Jr 10,1-16;Dn 14,1-30;Br 6;Sb 13,1.15,19).
- CIC 1159: A imagem sagrada, o "ícone" litúrgico, representa principalmente Cristo. Não pode representar o Deus invisível e incompreensível: foi a Encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova "economia" das imagens: Outrora Deus, que não tem nem corpo nem figura, não podia de modo algum, ser representado por uma imagem. Mas agora, que Ele se fez ver na carne e viveu no meio dos homens, eu posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus [...] Contemplamos a glória do Senhor com o rosto descoberto (São João Damasceno, De sacris imaginibus oratio 1, 16: PTS 17, 89 e 92 - PG 94, 1245 e 1248).
- CIC 2113: A idolatria não diz respeito apenas aos falsos cultos do paganismo. Continua a ser uma tentação constante para a fé. Ela consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria desde o momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demónios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro, etc., "Vós não podereis servir a Deus e ao dinheiro", diz Jesus (Mt 6, 24). Muitos mártires foram mortos por não adorarem "a Besta" (Ap 13 e 14), recusando-se mesmo a simularem-lhe o culto. A idolatria recusa o senhorio único de Deus; é, pois, incompatível com a comunhão divina (Gl 5,20;Ef 5,5).
- CIC 2132: O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original (São Basílio), e "quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada" (II Concílio de Niceia, Definitio de sacris imaginibus: DS 601; cf. Concílio de Trento, Sess. 25ª, Decretum de invocatione, veneratione et reliquiis sanctorum, et sacris imaginibus: DS 1821-1825: II Concílio do Vaticano, Const. Sacrosanctum Concilium, 125: AAS 56 (1964) 132: Id., Const. dogm. Lumen Gentium, 67: AAS 57 (1965) 65-66). A honra prestada às santas imagens é uma "veneração respeitosa", e não uma adoração, que só a Deus se deve: O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem (São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2. q. 81, a. 3, ad 3: Ed. Leon. 9, 180).
Por que veneramos Maria?
Os protestantes que se opõe ao culto mariano muitas vezes cometem o erro de alegar que ele carece de fundamento bíblico ou histórico. No entanto, a arqueologia, as antigas liturgias e os Padres da Igreja oferecem provas a essa afirmação. Embora as Escrituras não prescrevam diretamente a devoção a Maria, isso não impede que os fieis a honrem, uma vez que os motivos para fazê-lo são evidentes. Afinal, Maria é a mãe de Deus e se tornou modelo perfeito de obediência e fé para todos nós.
Honrar Pai e Mãe
Assim como reconhecemos em nossos corações que Cristo é digno de adoração, mesmo sem um preceito explícito na Bíblia, também podemos ver claramente que a veneração à Virgem Maria é legítima e adequada. Se Deus nos pede que honremos nossos pais, certamente Ele honraria a Mãe que O gerou.
Por que não honrar aquela que é Rainha do Céu em atenção ao grande Rei? Aqueles que questionam o culto mariano perdem a oportunidade de experimentar a beleza e a profundidade da devoção à Mãe de Jesus, a quem Ele mesmo honrou e amou.
Todas a gerações...
Embora a veneração a Maria não seja explicitamente mencionada nas Escrituras, suas razões são claras. Maria mesma profetizou que todas as gerações a proclamariam bem-aventurada, reconhecendo as maravilhas que o Senhor realizou nela. Aqueles que não são devotos de Maria se afastam das gerações que, em um movimento espontâneo de amor e confiança, imitam três personagens importantes da Escritura: o Arcanjo Gabriel, Santa Isabel e uma mulher anônima do povo, que representam um número incontável de fieis.
A anunciação
Na cena da anunciação (Lc 1,27), São Gabriel é descrito como o mensageiro de Deus encarregado de pedir o consentimento de Maria ao grande mistério da encarnação. Sua saudação solene e cheio de ternura se tornou uma das mais queridas orações católicas. Por que não repetir as mesmas palavras que Deus escolheu para honrar a futura Mãe de Seu Filho? Se devemos imitá-lo em tudo, por que agir de forma diferente nisso? A Ave Maria é uma das mais belas orações que podemos fazer a Maria.
O encontro com Isabel
No Evangelho de Lucas, encontramos o encontro entre Maria e sua prima Isabel, que também estava grávida. Ao ouvir a saudação de Maria, Isabel proclamou "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre" (Lc 1,42), revelando o reconhecimento da grandeza da Mãe de Deus. Essa moção divina, que trouxe alegria e graça celestiais para mãe e filho, é uma manifestação clara da ação do Espírito Santo em iluminar Isabel a reconhecer as maravilhas que se realizaram em sua prima. Assim, Isabel concluí: "Bem aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas" (Lc 1,45), enfatizando a importância da fé na aceitação das promessas divinas.
O louvor público à Virgem
Também no Evangelho de Lucas, temos a primeira proclamação pública de louvor à Santíssima Virgem, após Jesus curar um surdo-mudo que também era cego (cf. Mt 12,22), a multidão se perguntou se ele era o Messias. Porém, os escribas e fariseus atribuiram o milagre a forças demoníacas. Então, uma mulher do povo, entusiasmada, proclamou: "Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram!" (Lc 11,27).
Isso confirmou a verdade do Magnificat: a glória das mães são os filhos e a glória dos filhos redunda nos pais.
Jesus exalta Maria
A resposta de Jesus: "Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a observam" (Lc 11,28), não menosprezam Sua Mãe, como muitos querem fazer aparecer, mas a exalta ainda mais. Ao chamar bem-aventurado a quem ouve a Palavra de Deus e a guarda, Jesus reconhece que a graça divina estabelece laços mais profundos do que os vínculos de sangue e que a verdadeira bem-aventurança reside naqueles que ouvem e obedecem a Palavra de Deus. Isso não diminui a grandeza de Maria, mas antes a confirma como a Mãe do Verbo Encarnado, que é a própria Palavra de Deus. Afinal, não foi ela exemplo de escuta e obediência à Palavra de Deus?

Veneramos, sim, Maria
Se a veneração mariana encontra alicerces sólidos nos Evangelhos, faz pleno sentido a reverência dos primeiros seguidores de Cristo pela Mãe do Salvador e o crescente amor que a Igreja desenvolveu por aquela que trouxe ao mundo sua Cabeça mística. Nós só amamos Maria porque ela deu a luz a Jesus! Maria é importante para nós, porque Cristo é importante; ela é a nossa rainha, porque Cristo é o nosso Rei; ela é a Nossa Senhora, porque Cristo é o Nosso Senhor; é por causa DELE, não é por causa dela. Nós amamos essa mãe maravilhosa, porque foi ela a escolhida por Deus. Que Deus Pai aprofunde ainda mais nos corações católicos a piedade para com Maria enquanto nossa Mãe afetuosa instigue os que estão além das fronteiras da Igreja a discernir que é em seu Filho, o ápice de toda a devoção cristã, onde o esplendor de Maria encontra seu autêntico significado.
O que diziam os Santos Padres: Uso de imagens / Cristianismo primitivo
O catecismo da Igreja ensina que "já no Antigo Testamento Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens, que conduziriam simbolicamente à salvação pelo Verbo encarnado: por exemplo: a serpente de bronze e a arca da Aliança e os querubins. Com base no mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio ecuménico, de Nicéia (ano 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto de ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnado, o Filho de Deus inaugurou uma nova (economia) das imagens". (Catecismo , 2130,2131)
- São Justino Mártir (100 - 165 D.C.): Não foi Deus, por meio de Moisés, quem mandou não fazer absolutamente nenhuma imgem ou representação de coisas lá do alto, do céu, nem cá de baixo, da terra? No entanto, no deserto, Ele mesmo fez Moisés fabricar a serpente de bronze e a colocou como sinal, pelo qual se curvam os que eram picados pelas serpentes. Nem por isso vamos dizer que Deus seja culpável de injustiça. (Diálogo com Trifão - 94,1-4)
- São Basílio Magno (330 - 379 D. C.): A honra prestada a uma imagem venera nela a pessoa que nela está representada. (Do Espírito Santo 18,45)
- Santo Agostinho (354 - 430 D. C.): A representação da Verdade através de sinais tem força para alimentar e atiçar um amor ardente, através do qual nós flutuamos para o nosso lugar de descanso. As emoções não se acendem facilmente quando a alma está totalmente absorta em coisas materiais. Mas, quando as abandona e é trazida para a realidade espiritual, pelo simples ato de passar de uma para a outra, a alma se fortalece. (Carta 55,11)
- Teodoreto de Ciro (393 - 466 D. C.): Os pintores, ao representar na tela ou na parede as histórias passadas, não apenas alegram os olhos de quem as comtemplam, mas também conservam vivas por muito tempo as memórias do eventos que já se foram. (História Eclesiástica 1,1)
- São Gregório Magno (540 - 604 D. C.): Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas, não para swr adorado, mas simplismente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se direje as tuas preces. O que as Escrituras é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes mediante essas imagens, aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro dos iletrados. (Carta 11, 9 e 13)
- São João Damasceno (675 - 749 D. C.): Durante a vida, os santos estão cheios do Espírito Santo, e, quando morrem, a graça de Deus perdura inseparavelmente nas suas almas, nos seus corpos, nos seus sepulcreos e nas santas imagens que representam - não, certamente, no plano da essência, mas no da graça e da ação. (Discursos I)
- 2º Concílio Ecumênico de Nicéia (787 D. C.): ... definimos, com todo rigor e cuidado, que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim como as veneráveis imagens pintadas quer em mosaico, quer em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas pardes e nas mesas, nas casas e nas ruas; sejam elas a imagem do Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo, a da Imaculada Senhora nossas Santa Mãe de Deus, dos santos anjos e de todos os santos justos. (Sessão 7)






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