Cristandade
- michelfiorio
- 25 de nov. de 2023
- 3 min de leitura


A cristandade é um momento da história do ocidente que existiu entre os séculos XI e XIV, que tem o seu marco simbólico o início do ano de 1077 com a "Penitência de Canossa" (o rei Henrique IV, rei da Alemanha e da Itália, na guerra das investiduras foi excomungado pelo Papa que o declarou deposto e o seu reino entrou em convulsão, com isso o rei foi para Itália que ficou três dias e três noites diante do castelo de Canossa na neve implorando o perdão do Papa, porque, se não ele não poderia governar mais) e seu auge em 1215 no IV Concílio de Latrão, tendo como fim da cristandade em 1378 com o início do cisma do ocidente.
A cristandade é o apogeu da história da Igreja, por quê?
A cristandade é antes de tudo um mundo cristão, um mundo em qual a Igreja agiu naqueles III séculos descritos acima. O objetivo primordial da Igreja é salvar as almas e por consequência necessária suscita uma civilização cristã na qual os homens se comportam em sociedade com a mesma devoção e com a mesma submissão a Deus, que privadamente não é possível dissociar o homem na sua vida pública e na sua vida privada; então é nesse sentido que falamos de civilização cristã, de um mundo cristão.
Quando falamos de um mundo cristão, a qual foi a cristandade, estamos falando de uma civilização cuja organização, a legislação, cultura, costumes, toda autoridade estão submetidos a Cristo e a Igreja. Na cristandade ainda existe aquele espírito de recusa de Deus - que são próprios do pecado original, mas não há possibilidade desse espírito se institucionalizar. É nesse sentido, portanto, que se fala de um mundo cristão, no sentido que todo mundo é santo, perfeito e vive conforme o evangelho, evidente que não, mas por ser um mundo em que toda a ordem estabelecida estava submetida à cidade de Deus.
Quando falamos de cristandade católico, devemos considerar que o Pontífice Romano; o Papa estava naquele tempo no topo de uma longa hierarquia que ligava o homem mais simples até o mais poderoso e toda essa hierarquia era a ele; o Papa submetida. Na cristandade o Papa era além de chefe da Igreja, era o chefe das nações cristãs. Seis Papas se destacaram nisso: Gregório VII, Urbano II, Alexandre III, Inocêncio III, Gregório IX e Inocêncio IV. O Papa era uma autoridade moral, espiritual incontestável. Houve conflitos, tiveram problemas, mas o papado era a grande autoridade da cristandade. A Igreja não tinha poder, ela tinha autoridade moral e espiritual reconhecida por todos, e o apogeu disso foi sob o pontificado do Papa Inocêncio III (1198 a 1216), o Papa mais poderoso da história, sendo ele que aprovou as Ordens de São Domingos e São Francisco.
A cristandade foi a realização simultaneamente "espiritual e temporal" (A ordenação do temporal ao espiritual: sendo a cristandade uma civilização cristã, nela o poder temporal - "o poder dos reis", se submetiam ao poder espiritual - "Papa, Bispos e Abade", naquilo que lhe era próprio. Estão ambos os poderes temporal e espiritual unidos, porém, cada poder - "temporal e espiritual" tinha a sua área de atuação, mas o temporal se submete ao espiritual sobretudo pela finalidade do homem que é sobrenatural - "salvação", aliás a sua finalidade sobrenatural está acima da sua finalidade natural. Em resumo, na Idade Média, na cristandade o poder no âmbito politico e religioso não se confundem, mas se cooperam, e o poder temporal está ordenado ao poder espiritual) naquela época tão característica da Igreja que se tornou o seu nome: a catolicidade, a universalidade, a unidade na diversidade, e o que é essa unidade? A fé, o pertencimento da Igreja Católica.
Isso era a cristandade; um mundo orientado a Deus no qual as coisas deste mundo estavam submetidos as autoridades espirituais, e no qual como Cristo exigiu antes de subir aos céus - "as nações faziam parte da Igreja e eram irmãs".
"Tempo houve em que a filosofia dos Evangelhos governava os Estados. Nessa época a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então, a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente graças ao favor dos príncipes e à proteção legitima dos magistrados. Então, o sacerdócio e o império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memoria subsiste e subsistirá consignada como está em inúmeros documentos que artificio algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer"
(Leão XIII, Immortale Dei)






Comentários