Constantino e a Igreja Católica
- michelfiorio
- 11 de mar. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 26 de jun. de 2023

Os católicos que queiram crescer na fé, e defender a fé contra essa que é uma das maiores acusações, uma das maiores mentiras, que chega a ser uma heresia, que é dizer que Constantino fundou a Igreja Católica.
Essa ideia de dizer que Constantino fundou a Igreja Católica, ela é uma ideia eminentemente protestante, que foi posteriormente adotada e disseminada pelos iluministas e racionalistas anti-católicos.
Quando surgiu o protestantismo, quiseram naturalmente fundar igrejas fora da comunhão católica trazendo concepções totalmente equivocadas a respeito do que é o próprio conceito de igreja não enquanto instituição fundada por Cristo, mas por seres humanos de acordo com a comunhão na fé entre seus membros.
Quando os protestantes deixaram a Igreja Católica, naturalmente que eles deveriam apontar, e era esperado, era razoável uma necessidade deles que se apontassem um momento histórico em que a instituição eclesiástica da Igreja Católica teria se corrompido. Era necessário apontar um antes na história do cristianismo e um depois, a partir do qual as coisas teriam se tornado inadmissíveis e contrárias ao "Evangelho primitivo". Eles procuraram então, um marco histórico para dizer que a partir daqui à instituição eclesiástica se corrompeu, e por isso nós temos que sair para retornar as origens rompendo com tudo aquilo incluído no cristianismo depois deste momento de perversão do cristianismo. E o momento histórico que eles encontraram foi o reinado do Imperador Constantino.
Vamos nos situar no tempo, Constantino foi Imperador Romano entre 305 e 337 d.C, no começo do século IV. Eles afirmam que a partir de Constantino a Igreja Católica se corrompeu, o cristianismo original foi abandonado e foi criado uma coisa nova, um cristianismo paganizado que seria a Igreja Católica Romana. Pois bem, então nós com olhar historiográfico devemos fazer para demonstrar, refutar esta tese é: "apontar o que nesse marco histórico define, mostra, demonstra o surgimento de alguma coisa que não existia antes, ou seja, o que tem depois de Constantino que não existia na Igreja antes de Constantino", essa é a questão, porque os protestantes vão falar isso: a partir de Constantino foram surgindo, acrescentadas ao cristianismo várias coisas que o perverteram. Aqui no caso, os protestantes irão recorrer a tudo aquilo que eles em geral condenam na Igreja Católica, por exemplo, a visão católica a respeito dos sacramentos, em especial da Eucaristia. Está exposta claramente na 1ª apologia de São Justino que morreu em 165, indo contra as heresias [santo Irineu de Lion], e santo Inácio de Antioquia que foi discípulo dos apóstolos, morreu no ano 107, ele traz na doutrina eucarística, absolutamente coerente a doutrina Católica a respeito da transubstanciação. Todos os padres da Igreja do século III pré-Constantino apresentam a visão Católica de Eucaristia; santo Hipólito, São Cipriano e Tertuliano. Outra questão, a veneração a Santíssima Virgem Maria, são encontradas também, em São Justino, santo Irineu, a veneração a Virgem Maria demonstrada por uma oração descoberta no Egito que remonta o século III; uma oração dirigida a Nossa Senhora como a Mãe de Deus, a veneração dos santos, quem quiser visitar as catacumbas de Roma poderá ver registros dos primeiros séculos pedindo a intercessão de São Pedro e São Paulo. Outra questão, nós sabemos desde o começo, a gente encontra no primeiro escrito patrístico, que é de São Clemente à Igreja de Corinto, lemos nas cartas de Santo Inácio de Antioquia a referência, a origem apostólica dos Bispos da Igreja nos séculos I, II, e III, os apóstolos fundaram Igrejas locais e a partir do século IV chama-se diocese. Então, tudo isso são indícios pré-Constantinianos de coisas que os protestantes dizem que surgiram depois de Constantino por uma tentativa deles de paganizar a Igreja, e se a gente estuda a sério a Igreja primitiva - antiga, tudo o que a gente vê o que faz a Igreja Católica que é a sua fé, a qual é a sua doutrina, a qual é a sua constituição divina, a forma com que ela foi deixada por Nosso Senhor Jesus Cristo, a fé que ela professa e a sua hierarquia, "tudo já estava desde o princípio", desde antes de Constantino, ou seja, não é possível identificar nada depois de Constantino que teria sido acrescentado a Igreja e que não existia antes. É obvio que questões acidentais que não dizem respeito a fé, a doutrina, aquilo que é imutável na Igreja, é claro que coisas novas nesse sentido surgiram, mas não novidades, acréscimos orgânicos conforme o próprio contexto de cada época, e o tamanho que ela vai adquirindo aos longos dos séculos, e é justamente que acontece a partir de Constantino, porque antes de Constantino a Igreja Católica era proibida, perseguida e seus membros deveriam abandonar a fé, apostatar e aderir aos falsos deuses do Império Romano, isso até o ano de 311, e no ano 313 Constantino como Imperador do Ocidente e Licínio como Imperador do Oriente de comum acordo se reuniram em Milão e assinaram o famoso édito de Milão que teve uma importância fundamental na história da Igreja que deu liberdade de culto aos cristãos. Porém, Licínio voltou a perseguir os cristãos e Constantino lutou e venceu Licínio e tornou-se o Imperador de todo o Império Romano.
Constantino não tornou a Igreja religião oficial do Império Romano, mas tornou de longe a religião mais favorecida. Foi ele, por exemplo, que tornou o domingo o dia de descanso oficial, ele construiu muitas basílicas, ele encheu o clero de imunidades fiscais e civis, concedeu aos bispos autoridade judiciária, ele, também no próprio exercício do governo romano procurou inserir dentro da legislação romana da justiça princípios moralizadores, princípios de misericórdia, e as instituições começaram a se cristianizar. Então é isso que acontece a partir de Constantino, não acontece nenhuma mudança da Igreja, nenhuma mudança da fé Católica naquilo que é próprio da Igreja, o que acontece, na verdade, é uma expansão da Igreja sobre terrenos que antes ela não podia penetrar, esse é o grande mérito de Constantino; o fim das perseguições, inicio da cristianização do Império Romano.
Não há nada que Constantino fez que favoreceu a ideia de que ele teria modificado aquilo que é próprio da Igreja, de modo que antes dele havia uma Igreja pura e primitiva ligada a Cristo, e outra depois, uma Igreja Romana paganizada. Agora, enquanto depósito da fé, enquanto Tradição, nada mudou.
Então, isso é uma mentira, um argumento mentiroso que os protestantes inventaram para justificar seu rompimento com a Igreja Católica e que não se sustenta teologicamente, historicamente, documentalmente, e que nós, católicos devemos estar sempre prontos para refutar e responder.






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